Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Afundamento das bolsas em outubro. Rombo de 6 biliões de euros no pior mês do ano

O índice mundial para os mercados de ações caiu 7,6% em outubro. A maior queda registou-se na Ásia, quase 10%. As bolsas da zona euro perderam 8,5% e o PSI 20 em Lisboa recuou menos, perto de 5%. A melhor bolsa foi São Paulo com o ‘efeito Bolsonaro’. O índice brasileiro subiu 7%

Outubro foi o pior mês do ano, até à data. O rombo na capitalização mundial deve ter rondado 6,5 biliões de dólares (€5,7 biliões), com base nos dados para o valor de capitalização mundial em final de setembro registado pela Federação Mundial de Bolsas (World Federation of Exchanges). Uma quebra que é mais do triplo das perdas registadas em fevereiro, o mês que detinha o recorde de mais negro de 2018, até ser destronado pelas quebras generalizadas em outubro nas bolsas à escala mundial. Outubro ficará nos anais dos anos recentes como o pior mês desde maio de 2012.

Lisboa seguiu a tendência mundial, mas o índice PSI 20 recuou menos do que os índices à escala mundial e na zona euro.

As duas últimas sessões, de 30 e 31 de outubro, fecharam em alta em todas as regiões, mas os ganhos não alteraram o quadro negro mensal.

O mês foi castigado por quatro factores negativos:

- o impacto da guerra comercial, com os primeiros sinais de que está a afetar a China (onde se encontra Xangai, a quarta mais importante bolsa do mundo em capitalização) e alguns sectores da economia norte-americana;

- a crise entre Bruxelas e Roma;

- a perceção de que segmentos de ativos nos mercados financeiros em algumas economias desenvolvidas têm valorizações excessivas;

- e a convicção de que a Reserva Federal dos Estados Unidos, o mais importante banco central do mundo, não vai abrandar a subida das suas taxas diretoras, apesar da pressão em contrário exercida pelas declarações e tweets do Presidente Trump.

O índice MSCI global, para todas as bolsas do mundo, caiu 7,6% em outubro. A região que registou a maior queda mensal foi a da Ásia Pacífico. O índice MSCI respetivo perdeu 9,6%. O índice MSCI para o grupo dos mercados emergentes recuou 8,8% e o relativo à zona euro desceu 8,5%. O índice para os EUA, que abrange as duas mais importantes bolsas do mundo – o New York Stock Exchange e o Nasdaq, das tecnológicas -, perdeu 7%.

Efeito Bolsonaro na bolsa paulista

A América Latina foi a única região que escapou à maré vermelha de outubro, graças à subida da Bolsa de São Paulo. O índice MSCI para a região avançou 3,4%, impulsionado pelo disparo de 7% no índice iBovespa brasileiro.

A bolsa paulista foi alimentada pelo ‘efeito Bolsonaro’ ao longo de outubro, em virtude da vitória do candidato extremista Jair Bolsonaro nas duas voltas das presidenciais. O superministro para as Finanças e a Economia do futuro governo brasileiro, o economista Paulo Guedes, um antigo Chicago Boy, promete um “choque” na economia brasileira, com um plano de privatizações, a revisão das leis laborais e do sistema de Pensões, e um ajustamento orçamental que elimine o défice.

Os piores desempenhos por região em outubro registaram-se na bolsa de Seul, com o índice Kospi a afundar-se 12%, na praça da cidade do México, com o índice S&P/BMV a perder 11%, e em Milão, com o índice MIB a recuar 7,4%.

Preço do Brent cai 12%

O comércio internacional continua a abrandar, com o índice Baltic Dry a recuar 1,75% em outubro. Nos últimos três meses já perdeu 13%. Este índice rastreia os preços de transporte de carga a granel por via marítima e é tido como um barómetro do comércio internacional, ainda quês e baseie em estimativas dos operadores e possa ser afetado por fatores conjunturais.

Nos mercados de matérias-primas, outubro saldou-se por um recuo global de 2,2% dos preços das 19 principais commodities, segundo o índice CRB, da Reuters. As maiores descidas registaram-se nos preços dos futuros dos barris de petróleo – 13,6% no caso do barril de referência norte-americano e 12% no caso do Brent, o barril de referência europeu. O preço do Brent desceu de 82,72 para 75,47 dólares entre 28 de setembro e 31 de outubro.

Riscos a seguir em novembro

Os mercados em novembro poderão ser afetados pelo início das sanções dos Estados Unidos ao Irão, já a partir de 5 de novembro, exigindo a eliminação de compras de petróleo a Teerão, pelos resultados das eleições intercalares para o Congresso nos EUA já no próximo dia 6, pela evolução do braço de ferro entre Roma e Bruxelas a propósito do plano italiano de expansão orçamental entre 2019 e 2012, chumbado pelo Comissão Europeia, e pelo desenrolar das negociações para o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, que deverão ser prolongadas até à cimeira europeia de dezembro.

Os analistas estarão, também, atentos à reunião de Outono do Comité Central (CC) do Partido Comunista da China (PCCh), que continua sem data anunciada. O comunicado oficial da reunião do Politburo (comité político do CC do PCCh), realizada na quarta-feira, avisava para pressões negativas crescentes sobre a economia chinesa e para "mudanças profundas" no cenário externo.