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€30 mil garantem às empresas livre trânsito na contratação

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto quer aproximar as empresas dos seus diplomados e promover a sua empregabilidade

FOTO RUI DUARTE SILVA

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto criou FEUP Prime, um programa de ‘mecenato’ académico que permite às empresas contratar os melhores talentos da instituição e trabalhar com os melhores investigadores para resolver problemas concretos do seu negócio. Sonae IM, Kaizen, Efacec e Sonae SS integram o projeto

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) tem protocolos de cooperação ativa e projetos de investigação e desenvolvimento em execução com mais de 70 empresas. Esta ligação entre o meio académico e o empresarial é um dos pilares que, segundo João Falcão e Cunha, diretor da FEUP, sustenta a taxa de empregabilidade de 80% apurada no ano passado entre os diplomados da instituição, um ano depois da conclusão da sua formação. Mas apesar dos bons resultados, a escola decidiu aproximar ainda mais os seus alunos do tecido empresarial e criou o que poderia aproximar, conceptualmente, de um programa de mecenato académico. O FEUP Prime - Corporate Membership Program, um programa que, a troco de uma comparticipação financeira de 30 mil euros, confere às empresas-membros a possibilidade de recrutarem os melhores talentos da instituição ainda durante a sua formação e trabalhar com os melhores investigadores na resolução de problemas concretos do seu quotidiano.

“Valorizar o conhecimento e o talento que são produzidos internamente na FEUP, através da cooperação com o tecido empresarial” é, segundo João Falcão e Cunha, o primeiro grande objetivo da instituição com o lançemento do FEUP Prime. Mas o conceito do programa, que já agrega empresas como a Efacec, a Kaizen, a Sonae IM e a Sonae SS, não se esgota nesta missão. “Pretende-se criar valor e vantagens competitivas para as empresas, estabelecendo uma ligação direta com as fontes de talento e de produção de conhecimento da faculdade”, explica o diretor em entrevista ao Expresso.

STARTUPS E EXPORTADORAS SÃO PÚBLICO-ALVO

A FEUP é uma das principais fornecedoras de talento e quadros altamente especializados para empresas do sector da indústria e também para tecnológicas, sejam elas multinacionais ou startups em fase de arranque e crescimento no mercado. O FEUP Prime está especificamete direcionado para estas empresas, não querendo com isto deixar de fora outros parceiros potenciais. O foco do projeto é, reforça do diretor da FEUP, “envolver as empresas e startups numa cultura de inovação aberta que contribui para melhor emprego e empresas mais inovadoras”.

O programa envolve prioritariamente alunos de mestrado e doutoramento da FEUP que passam a trabalhar, desde muito cedo, no seu processo formativo, em articulação com as empresas. Na verdade, dados divulgados pelo diretor relativos ao ano letivo 2017/18 demonstram que a colaboração da FEUP com o tecido empresarial viabilizou a realização de 405 dissertações de mestrado e doutoramento em contexto empresarial e 79 estágios de verão. “Quando terminaram o curso, 40 a 45% dos diplomados estavam já a trabalhar”, avança João Falcão e Cunha.

O FEUP Prime não é mais do que um upgrade a práticas que já são comuns na instituição e, garante o diretor, é um projeto ambicioso e que continua em desenvolvimento, até porque o objetivo é também fomentar a colaboração das empresas com as unidades de investigação. A escola negociou o arranque do projeto durante mais de um ano com os parceiros envolvidos. Além das quatro empresas que integram o projeto como parceiros estratégicos, investindo 30 mil euros na FEUP e estabelecendo com a universidade uma relação de longo prazo, o programa soma ainda 81 empresas afiliadas.

Na prática, qualquer uma destas organizações pode, com recurso a um investimento menor, “definir em conjunto com a FEUP objetivos comuns de aprendizagem, investigação e inovação que lhes permitem não só recrutar os talentos mais capazes para cumprir os seus objetivos, como envolver os melhores estudantes na resolução de problemas concretos e trabalhar com os melhores investigadores em desafios societais e inovação de ponta”, explica o diretor.

Segundo este responsável, há já dez projetos de doutoramento em curso na instituição articulados entre doutorandos da FEUP e empresas. “São desafios ambiciosos de inovação que podem agregar equipas de doutorando e quadros das empresas”. O objetivo, reforça, é sempre que os doutorando possam vir a ser integrados nas empresas após a conclusão do projeto, mas que a relação entre a empresas e a FEUP não se esgote nesse momento. “O aumento da interação no âmbito do FEUP Prime irá permitir trabalhar na universidade sobre o conhecimento mais relevante para a economia e para a sociedade, fazendo chegar às empresas os melhores engenheiros e contribuindo assim para melhor emprego e empresas mais inovadoras”, conclui.