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Licenciatura garante prémio salarial de 43%

Richard Baker/Getty

Recém-licenciados entram no mercado com salários médios de €20.775 brutos anuais, conclui estudo da Towers Watson

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Em Portugal, um recém-licenciado entra no mercado a ganhar, em média, mais 43% do que um jovem com qualificações ao nível do ensino secundário. As contas são da consultora Willis Towers Watson, que analisou o prémio salarial dos licenciados portugueses face aos diplomados do ensino secundário à entrada no mercado de trabalho (ou em patamares muito iniciais de carreira), no seu relatório “Starting Salaries 2018” (“Salários em Início de Carreira 2018”). O estudo procura caracterizar o panorama remuneratório de quem chega ao mercado de trabalho, sem experiência profissional relevante, em vários países. Portugal não é dos que paga melhor.

Em média, um jovem que inicie a sua vida profissional com um diploma universitário ganha em média €20.755 euros brutos anuais em território nacional, segundo a consultora. Um diplomado do ensino secundário não vai além de €14.550 brutos anuais, em média. Se os profissionais forem detentores de mestrado, doutoramento ou MBA os prémios salariais são superiores. No primeiro caso é possível atingir, logo à entrada no mercado, uma remuneração anual bruta na ordem dos €23.696, já para os detentores de doutoramento ou MBA os valores rondam os €26.393 e os €26.855, respetivamente.

Os salários iniciais dos licenciados portugueses comparam desfavoravelmente com outros países, enfatiza a consultora. Em Espanha, um diplomado do ensino superior entra no mercado com um salário médio bruto anual de €31.175 e na Alemanha quem tem diploma de licenciatura não começa a trabalhar por menos de €48.821 anuais.

Outras contas

Mas a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) faz contas diferentes. Segundo a organização, que alarga a sua análise aos vários patamares de carreira e não apenas ao inicial, um licenciado em Portugal ganha, em média, 69% acima de um diplomado do ensino secundário e também permanece menos tempo em situação de desemprego. E mesmo se a qualificação superior for comparada a um grau de especialização tecnológica (técnico superior profissional), o prémio salarial permanece elevado, 65%.

As contas constam do último relatório da OCDE, “Education at a Glance”, recentemente divulgado, que traça o perfil da qualificação dos portugueses. O documento coloca Portugal no grupo de países da União Europeia onde o prémio salarial entre os diplomados do ensino superior e secundário é mais expressivo, superando a média europeia de 53%, e reforça a importância de investir na qualificação superior. Mas a remuneração não é a única razão. A OCDE conclui também que no último ano apenas 5,5% dos recém-licenciados portugueses estavam inscritos nos centros de emprego nacionais, um quarto da média entre os jovens do mesmo grupo etário. O documento não clarifica quantos licenciados exercem funções com requisitos abaixo das suas qualificações.