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Juros da dívida fecham em máximo de quatro meses em dia de veredicto da Moody's

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos encerraram a semana ligeiramente acima de 2%, um máximo desde junho. O contágio italiano veio para ficar. Juros da dívida transalpina fecham esta sexta-feira acima de 3,6%. Moody's anuncia esta sexta-feira decisão sobre o rating de Portugal. É a única das três grandes agências que ainda mantém a notação portuguesa em 'lixo financeiro'

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das obrigações portuguesas a 10 anos fecharam esta semana no mercado secundário da dívida acima de 2%, um máximo de quatro meses. Uma subida de seis pontos-base em relação ao encerramento do mercado a 5 de outubro.

Este nível, que não se observava desde junho, consolida-se no dia em que a Moody's e a DBRS publicarão as suas decisões sobre o rating de Portugal. A expetativa centra-se na Moody's, não sendo de esperar que a agência canadiana altere a notação de BBB com perspetiva estável.

A Moody's é a única das três grandes agências de notação que ainda mantém a dívida de longo prazo portuguesa em notação de "lixo financeiro", considerando-a especulativa. Em setembro do ano passado mudou para positiva a perspetiva da notação abrindo terreno a uma graduação este ano. Esta agência foi a primeira a colocar a dívida portuguesa em "lixo financeiro". logo em julhode 2011. As outras duas grandes agências já graduaram Portugal para terreno de investimento - a S&P em setembro do ano passado e a Fitch em dezembro.

A trajetória ascendente dos juros da dívida portuguesa já se traduziu, esta semana, numa subida da taxa de remuneração paga pelo Tesouro no leilão de obrigações a 10 anos realizado na quarta-feira. Recorde-se que o Tesouro colocou €782 milhões com uma procura 2,78 vezes superior, mas teve de pagar 1,939%, a taxa mais alta desde fevereiro, quando, em leilão da mesma linha de obrigações, pagou 2,046%.

Contágio italiano está para durar

O mercado da dívida da zona euro está a ser afetado pelo contágio italiano. Os juros dos títulos do Tesouro transalpino a 10 anos fecharam a semana em 3,62%, um máximo de mais de quatro anos. Chegaram a um pico de 3,71% na terça-feira.

O prémio de risco da dívida italiana está acima da linha vermelha dos 300 pontos-base (o equivalente a 3 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência na zona euro). Fechou a semana em 313 pontos-base, o dobro do prémio exigido pelos investidores para a dívida portuguesa.

Apesar da forte pressão pública e de bastidores exercida esta semana em Bali, à margem da assembleia geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), sobre o governo italiano por parte do próprio FMI e da Comissão Europeia, o parlamento em Roma aprovou na quinta-feira o orçamento que aponta para um défice orçamental de 2,4% do PIB em 2019, bem distante da meta de 0,8% com que se tinha comprometido o governo anterior chefiado por Gentiloni. O orçamento, que deverá ser enviado para Bruxelas na segunda-feira, foi aprovado por 165 votos a favor contra 107 no Senado e por 331 a favor contra 191 na Câmara de deputados. A Reuters adiantou que, em Bali, já se falou de cenários de resgate de Itália.

Os analistas da consultora italiana Calipso consideram, no entanto, que o risco que vem de Itália não é o de um incumprimento de dívida pública (em 131,8% no final de 2017), mas de uma escalada de confronto com a Comissão e o Banco Central Europeu que torne provável o risco de Italexit -- de saída de Itália do euro e de redenominação da moeda, com regresso à lira. A Calipso aponta para uma probabilidade de 23,8% para o Italexit face a 13,2% para o risco de insolvência.

  • Moody's retira Portugal de “lixo financeiro”

    A agência de notação subiu esta sexta-feira o rating da dívida portuguesa de Ba1, um nível especulativo, para Baa3, o primeiro nível de investimento. A Moody's foi a primeira das três grandes agências a colocar Portugal em 'lixo financeiro' em julho de 2011 e a última a graduar a dívida portuguesa