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10 coisas que precisa de saber para decidir se quer comprar um bocadinho do Continente

Sonae MC vai entrar na Bolsa a 23 de outubro e admite distribuir 40% a 50% dos lucros em dividendos

A oferta pública de venda (OPV) da Sonae MC está em curso e amanhã termina a primeira fase da subscrição das ações da empresa. Mas até dia 17 ainda é possível ir a jogo se quiser tornar-se acionista do negócio de retalho do grupo Sonae que criou uma fatia de 50 milhões de ações para os pequenos investidores.

Em destaque nos sites dos bancos portugueses, a operação é apresentada como “a oportunidade única de investir num líder do retalho alimentar em Portugal”.

Só no dia 18 vai ser possível saber se este argumento convenceu o mercado. Para já, uma ronda do Expresso por alguns balcões do centro do Porto, na zona da Boavista, indica que não há uma corrida às ações como nos anos de ouro da bolsa. Não há prospetos a não ser nos sites e os clientes que aparecem a fazer perguntas sobre a OPV contam-se, até agora, pelos dedos da mão – é o que se vai ouvindo em todas as portas que o Expresso abriu para perguntar se havia prospetos sobre a operação e se a procura era muita.

Se ainda vai ponderar comprar ações da Sonae MC como opção de investimento, fique a saber os prazos e os principais números e factos a ter em conta em 10 pontos.

1 - Qual é o preço das ações?

O preço final será fixado a 18 de outubro, no mesmo dia em que termina o prazo de aceitação de ofertas para os grandes investidores. A decisão será em função da procura, mas o intervalo está definido entre os 1,4 e os 1,65 euros.

2 - Qual é o período de subscrição?

A subscrição começou no dia 8 de outubro, já com os títulos disponíveis para pequenos e grandes subscritores. As ofertas podem ser feitas até dia 17 para os pequenos investidores, mas os institucionais têm mais um dia. Depois, o calendário apresentado prevê a estreia da Sonae MC na Euronext Lisbon no dia 23.

No entanto, entre 8 e 18 de outubro há duas fases de subscrição. A primeira termina a 12 e a segunda decorre a partir de 13, sendo que em caso de rateio, se a procura superar a oferta, as ordens submetidas no primeiro período (até dia 12) beneficiam de um coeficiente de atribuição de 100%, o que significa que começam por ser satisfeitas, na íntegra, as ordens de compra dadas na primeira fase.

3 - Quando é conhecido o resultado da operação e arranca a negociação?

Terminado o período de subscrição (18 de outubro), são apurados os resultados da oferta e são comunicados ao mercado numa sessão especial de bolsa. Só nessa altura é possível saber o preço e o número final de ações. O arranque da negociação começa logo no dia seguinte (19 de outubro), mas numa base de admissão condicionada. Na bolsa, a negociação deverá começar a 23 de outubro, duas semanas depois do arranque da operação. Esse é, também, o dia da liquidação da oferta ao retalho, o que significa que é o dia em que as ações serão atribuídas aos pequenos investidores

4 – Qual é a oferta de ações disponível?

Nesta operação, a Sonae quer vender 217 milhões de títulos, representativos de 21,7% do capital da empresa, mas a percentagem a alienar pode chegar aos 33% se a procura se revelar robusta. Os grandes investidores institucionais ficam com a fatia principal deste bloco de ações, uma vez que os pequenos investidores nacionais terão apenas acesso a 5% (50 milhões de ações).

5 – Há limites para as ordens de compra?

Um pequeno investidor deve dar ordens de compra em múltiplos de 10 ações, até um montante máximo de 175 mil ações.

6 – Onde se podem comprar as ações da Sonae MC?

Os investidores particulares podem dar ordem de subscrição junto de qualquer banco ou corretora, desde que o intermediário financeiro esteja habilitado a prestar o serviço de registo e depósito de valores mobiliários.

7 – Subscrever ações tem encargos?

Além do preço das ações, pode haver comissões a pagar aos intermediários financeiros e, neste campo, cada um tem as suas tabelas. Caso não tenha outros valores mobiliários em carteira, poderá ser cobrada uma comissão de custódia de títulos, normalmente com periodicidade trimestral. Assim, antes de subscrever as ações, deve informar-se destes encargos.

8 – O que está a comprar quando investe na Sonae MC?

O negócio de retalho a Sonae inclui marcas como o Continente, Well´s, Maxmat e Go Natural, entre outras, e a Sonae MC apresenta-se como líder no mercado do retalho alimentar em Portugal, com uma quota de 22%, 1054 lojas multiformato, 710 das quais são próprias e 344 franquiadas. No programa de fidelização, a empresa soma 3,7 milhões de utilizadores ativos. Emprega 30 mil pessoas e teve um volume de negócios de 4,055 mil milhões de euros que representa uma taxa média anual de crescimento de 5,6% nos últimos 3 anos.

Quanto a investimentos previstos, a Sonae já deu indicações de que o objetivo para o final do ano é abrir mais 18 lojas Continente Bom Dia e quatro lojas Continente Modelo. Nos próximos 3 anos, espera inaugurar 50 a 60 lojas Continente Bom Dia e 4 a 8 lojas Continente Modelo, além de 150 lojas de formatos adjacentes, antecipando gastar 115 milhões de euros por ano em investimento de manutenção e otimização e um montante cumulativo de 260 milhões a 280 milhões de euros em investimento para expansão entre 2019 e 2020.

9 – Qual vai ser a política de dividendos da empresa?

A empresa compromete-se a pagar um “dividendo atrativo” e fixou o rácio de pagamento entre os 40% a 50% do resultado líquido ajustado após interesses minoritários. Analistas contactados pelo Expresso consideram que este valor pode parecer atrativo, mas num negócio maduro deste género, seria admissível o dividendo chegar aos 70%.

10 - Quanto vai valer a empresa?

De acordo com o intervalo de preços fixado para as ações, a nova cotada Sonae MC ficará avaliada entre os 1,4 e os 1,65 mil milhões de euros. A partir daí, tudo fica nas mãos do mercad