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Zagope quer ganhar €400 milhões de obras até 2020

A subsidiária do conglomerado brasileiro Andrade Gutierrez renasce em força e segue projetos de mil milhões de euros em Portugal. A crise na construção "acabou" e o investimento público "está em retoma", diz o presidente executivo em entrevista ao Negócios

A Zagope, a construtora para Europa e África do grupo brasileiro Andrade Gutierrez, acredita na recuperação do mercado português e conta fechar 400 milhões de euros de contratos até 2020.

Em 2018, a produção da Zagope será de 100 milhões de euros, um décimo do pico registado na década passada. O peso de Portugal na carteira atual é praticamente nulo. A construtora prevê atingir, em 2021, uma faturação de 450 milhões de euros.

Numa entrevista publicada esta terça-feira no Jornal de Negócios, o presidente executivo João Martins Neto aponta o programa de ferrovia, os metros de Lisboa e Porto, a rede de drenagem de Lisboa e o hospital do Funchal como os principais projectos que a Zagope segue e cobiça.

A crise acabou

A crise na construção acabou e o investimento público “está em modo de retoma em Portugal”, reconhece João Martins Neto. Outubro será um mês animado. Há obras no valor de 300 milhões que serão adjudicadas este mês.

A Zagope segue, nas várias frentes, um pipeline de projectos de 5 mil milhões de euros - Portugal representa um quinto desse valor. E o gestor de origem brasileira está otimista. Conta arrecadar, em dois anos, 400 milhões dos mil que segue.

No aeroporto do Montijo “gostaríamos de participar mas não há ainda uma definição do projeto”. Também as infra-estruturas portuárias “estão no código genético” da Zagope.

Concorrência espanhola agressiva

A construtora reforçou a equipa e alocou metade da área de engenharia a estudar novos projetos em Portugal. A ferrovia 2020 é “um investimento gigantesco para os padrões de Portugal”. Depois de uma década “praticamente de paralisação um pacote de obras de 400 milhões de euros é um negócio fantástico”, refere o presidente da Zagope.

Os “concursos não estão mais fáceis”, Por exemplo na ferrovia a média por concurso é de 15 participantes. Mas, o gestor está preocupado com a agressividade “da concorrência espanhola”.

Talvez por isso, anuncia na entrevista o interesse da Zagope em reforçar a operação em Espanha, através de uma aquisição de média dimensão.

A Zagope “está á procura de oportunidades”, definindo como alvos grupos familiares que queiram sair do negócio.

A estratégia da sucursal da Andrade Gutierrez está suportada em três eixos - obras públicas em Portugal e Espanha, mercado privado industrial de oil e gas e mercado público com financiamento privado em África.

Angola deve 100 milhões

Com a recessão em Portugal, a Zagope reforçou a exposição a mercados africanos, mantendo apenas “uma operação residual na Madeira”.

África é “um continente riquíssimo, com tudo por fazer, mas há falta de capacidade administrativa dos governos de conseguirem financiamento”. O papel da Zagope “como prestadores de serviços é tentar fechar gaps nesses clientes", refere o gestor.

Em Angola, a Zagope lida com uma dívida de 100 milhões. A construtora conta que o cronograma de pagamento seja definido até ao fim do ano. E presidente executivo está otimista quanto à evolução do país. “Em Angola, existe um tom novo na história e a cada semana temos uma surpresa”, refere. Moçambique está na mira da Zagope que calcula um potencial de investimento no país de 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros). E o Gana já consta da carteira de obras, com uma empreitada rodoviária de 200 km. EM avaliação estão projetos que somam 700 milhões. Senegal, Costa do mMarfim e Etiópia estão sob escrutínio.

Na Ásia, a Zagope tem actualmente uma operação no Líbano - a construção de uma barragem de 260 milhões de euros. A partir da base do Líbano, avalia outras as oportunidades na região.

E os efeitos da operação Lava Jato na Zagope? O escândalo “afetou a empresa, mas não a imagem. Acabámos por sofrer porque o grupo Andrade Gutierrez sofreu”, responde o gestor. Mas, a Andrade Gutierrez foi a primeira construtora brasileira a sair da lista negra da Petrobras.