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Governo vê economia a desacelerar em 2019

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/Lusa

Mário Centeno reviu ligeiramente em baixa a previsão de crescimento para o próximo ano, aproximando-se das estimativas das restantes organizações. Já no desemprego, as perspetivas são agora bem melhores do que o antecipado

O cenário macroeconómico que serve de base à elaboração do Orçamento do Estado para 2019 assume que a economia portuguesa vai desacelerar ligeiramente no próximo ano mas que o mercado de trabalho estará bem mais pujante do que o antecipado.

Segundo números fornecidos por Mário Centeno ao deputado do PAN André Silva no âmbito das conversas que antecedem a apresentação da proposta do Orçamento do Estado, no próximo ano, a equipa das Finanças antecipa um crescimento de 2,2% do PIB, um patamar inferior em uma décima face ao que era esperado até aqui e face aos valores esperados para este ano (ambos de 2,3%).

A taxa de desemprego, essa, será muito melhor que o esperado, com a equipa das Finanças a antecipar agora que ela se fixe nos 6% (contra os 7,2% que constavam da última previsão).

Na dívida pública, as estimativas avançadas por Mário Centeno ao deputado do PAN não registam oscilações de significado, prevendo-se que fique pelos 117% do PIB, contra uma previsão anterior de 118,4% do PIB avançada no reporte de défices. A meta para o défice orçamental do próximo ano poderá ficar entre os 0% e os 0,2% do PIB, segundo avançou o deputado.

Apesar de rever as previsões de crescimento face às de Abril. o Governo continua a manter-se mais otimista que algumas instituições internacionais, como é o caso do FMI, que ainda esta madrugada reiterou que Portugal só deverá crescer em torno dos 1,8% no próximo ano, após fechar 2018 a avançar 2,3%.

Voto do PAN "ainda está em aberto"

No final do encontro com a delegação do Govermo, e interrogado sobre a posição política do PAN perante a proposta do executivo, o deputado André Silva afirmou que, apesar das características anteriores que apontara, "continua-se a não dar prioridade às questões do ambiente e da inclusão".

"Não há medidas de fundo para a proteção e conservação da natureza, nem para travar a expansão da área do eucalipto. Não há medidas que visem reduzir o deficiente tratamento de resíduos que temos em Portugal", criticou.

André Silva observou ainda que a proposta do Governo de Orçamento "não está fechada" e que a sua força política "continuará a solicitar a introdução de algumas medidas no âmbito da mobilidade elétrica e inclusão de pessoas na saúde e sistema educativo".

"Mas gostava de salientar que a proposta de Orçamento, pela primeira vez, vai contemplar logo na fase inicial medidas do PAN, nomeadamente o fim da isenção do pagamento de IVA dos artistas tauromáquicos. Há aqui claramente uma aproximação do PS ao PAN", sustentou.

Questionado se o PAN vai votar a favor da proposta do Governo de Orçamento logo na fase de debate na generalidade, André Silva respondeu: "Estamos ainda em negociações, até ao final da semana continuaremos em conversações e a querer introduzir mais medidas".

"Essa questão ainda está em aberto", acrescentou.

  • No pior cenário de escalada de guerra comercial e de reação negativa dos mercados, a taxa de crescimento da economia mundial pode reduzir-se perto de 1 ponto percentual nos anos de maior impacto negativo em 2019 e 2020. A zona euro pode ser a menos afetada. A China, os mercados emergentes e os EUA serão os mais castigados

  • Os magos do défice zero

    Mário Centeno prepara-se para ser o primeiro ministro das Finanças em mais de quatro décadas a chegar a um défice de 0%. Vai ficar na companhia de António de Oliveira Salazar, que governou as Finanças com mão de ferro a partir de 1928, e também de figuras da Monarquia e da Primeira República