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Os grandes vencedores de 2018

Nuno Duarte e Gonçalo Pereira são os responsáveis pelo Gotik Gin, o primeiro gin ribatejano

Gonçalo Villaverde

Há seis novos produtos agrícolas distinguidos pela sustentabilidade e inovação e que provaram a sua originalidade perante o júri do Prémio Intermarché Produção Nacional. Estarão a partir de agora nas prateleiras dos supermercados. Esta é a 5ª edição do galardão que incentiva os pequenos produtores portugueses a dinamizar os seus projetos. Os premiados estão divididos em quatro categorias: produção primária, produtos transformados, inovação e ideias com potencial

Fátima Ferrão

Peito de Pato Fumado (ideias com potencial)

Inovar a tradição
A receita é de origem minhota e, por isso, não podia faltar o tempero de vinha de alhos. O processo de defumar a carne é também tradicional, com recurso a lenha de azinho, “o que lhe confere um sabor único”, garante Deolinda Campelo, administradora da Quinta dos Fumeiros. Numa altura em que o consumidor procura produtos funcionais, práticos e fáceis de consumir, a pequena produtora de enchidos procurou criar um que mantivesse os sabores de antigamente. Além de ampliar as variedades de fumeiro de aves disponíveis no mercado, “a opção pelo pato permite levar aos consumidores uma carne nobre, de sabor marcante e com características saudáveis: o pato é mais digestivo e menos calórico do que outras carnes de ave, sendo fonte de zinco, ferro e vitaminas”, explica Deolinda Campelo.

Castanha dos Soutos da Lapa (produção primária)

Sabor sui generis
Para a maioria dos consumidores, uma castanha será sempre uma castanha. A Agrotamanhos quer mostrar ao mundo que há diferenças. “Quisemos enaltecer a Martaínha, rainha dos Soutos da Lapa, pelas suas características e pelo meio biodiverso onde são produzidas”, explica Alfeu Magalhães, gerente da empresa. É “uma castanha que se diferencia pelo sabor sui generis, grande calibre e brilho acentuado”. Em 2014, a empresa avançou para a certificação DOP (Denominação de Origem Protegida) com o objetivo de elevar esta castanha a um patamar superior e “para que o consumidor possa ter a garantia de que a castanha é de origem e qualidade controladas”. A expansão dos pontos de venda era outra das metas, agora possível com a distribuição a nível nacional que a rede Intermarché proporciona.

Queijo de Kefir de Leite de Cara (inovação)

Susana Carrolo produz queijo de kefir de leite de cabra

Susana Carrolo produz queijo de kefir de leite de cabra

Um superalimento
Os benefícios para a saúde foram a principal motivação de Susana Carrolo para criar o queijo de kefir de leite de cabra, que pode ser consumido simples, com orégãos ou recheio de compota artesanal. “Em conjunto, o leite de cabra e o kefir formam um produto de excelência”, garante a sócia da Queijaria Brejo da Gaia, em Abrantes. É um queijo macrobiótico produzido de forma manual que integra a categoria dos chamados ‘superalimentos’, com baixo teor de lactose e de gorduras nocivas, propriedades probióticas e de reforço imunitário. A pequena queijaria nasceu, em 2012, pelas mãos de Susana e do irmão, ambos engenheiros zootécnicos, e conta já com alguns prémios. “Nunca pensei que conseguíssemos um reconhecimento tão rápido”, garante, orgulhosa, Susana.

Carne da Cachena da Peneda (produção primária)

Em defesa do nacional
Classificada como “o último tesouro em carne mundial”, a carne da raça bovina cachena é exclusiva da região minhota e, como refere Idalino Leão, um dos promotores deste projeto, “merecia que fizéssemos algo em sua defesa”. Desta vontade nasceu, em 2014, a parceria entre a PEC Nordeste e a Cooperativa Agrícola dos Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, que hoje dispõem de vários animais de origem nacional a viver em liberdade nos pastos naturais da serra da Peneda-Gerês e alimentados com o que a natureza lhes dá. “Estamos a falar de território, de sustentabilidade ambiental e de sabor capaz de agradar ao consumidor mais exigente”, reforça Idalino Leão. O prémio ajudará a criar uma fileira ligada à comercialização da carne da Cachena DOP.

Vinhos Manzwine (produtos transformados)

Dona Fátima é o nome do primeiro vinho da Manzwine

Dona Fátima é o nome do primeiro vinho da Manzwine

De Cheleiros para o mundo
Dona Fátima é o nome do primeiro vinho da Manzwine, que nasce a partir da (re)descoberta da casta Jampal, quase única no planeta. Foi também o ponto de partida para a aventura da família Manz no mundo da enologia que, ao mudar-se para a pequena aldeia de Cheleiros, na zona de Mafra, pensava apenas fazer vinho para consumo próprio. A ‘brincadeira’ já deu frutos e a marca viu já dois dos seus vinhos reconhecidos entre os 50 melhores de Portugal. De Cheleiros partem néctares para 21 países. “É no mercado nacional” que encontram “maior resistência”, refere Raul Silva, diretor comercial e do enoturismo. O Prémio Intermarché ajudará a inverter esta tendência. “Dentro de cada garrafa da ManzWine está também a recuperação de história e património português”, reforça Raul.

Gotik Gin (produtos transformados)

Da abóbora nasce o gin
A ideia podia facilmente ter nascido numa noite de Halloween. À abóbora, imagem de marca desta data, acrescenta-se um processo de destilação com recurso a técnicas ancestrais e 21 outros produtos botânicos que lhe dão um aroma e carácter distintivos. O resultado é o Gotik Gin, cujo nome e imagem prestam tributo à arquitetura da capital do Ribatejo e do gótico — Santarém. “Um simbolismo que tem sido levado a concursos internacionais, nos quais, neste primeiro ano, já nos valeu três prémios nas categorias puro e tónico”, explicam Nuno Duarte e Gonçalo Pereira, sócios da MVPGIN. Este é o primeiro gin ribatejano e também o primeiro passo para criar uma destilaria de autor. Para isso, a MVPGIN está já a apostar na diversificação, com o desenvolvimento e comercialização de outros destilados.

O que se disse na entrega de prémios

“O consumidor é levado a crer que se está em todo o lado é porque é bom”
Raul Silva
Diretor comercial e de enoturismo da ManzWine

“É através das cooperativas que os pequenos produtores têm representatividade”
Idalino Leão
Administrador da PEC Nordeste

“Iremos promover a diferenciação junto dos parceiros produtores para que optem pela certificação das suas explorações”
Alfeu Magalhães
Gerente da Agrotamanhos

“Somos dos países onde a agricultura biológica pode ter um papel na descentralização e ocupação de terrenos”
Eduardo Oliveira e Sousa
Presidente da CAP

“Aproveitamos a abóbora não comercializável por défice de calibre e destilamos segundo técnicas ancestrais”
Nuno Duarte
Sócio da MVPGin

“O nosso maior orgulho é ser uma empresa inovadora. Com este prémio levaremos o produto mais rapidamente aos consumidores”
Deolinda Campelo
Administradora da Quinta dos Fumeiros

Textos originalmente publicados no Expresso de 6 de outubro de 2018