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Modelo Continente em bolsa custa 17 milhões à Sonae

Subscrição de ações da Sonae Modelo Continente começa esta segunda-feira. Sonae SGPS desvaloriza ligeiramente em bolsa

No dia em que se inicia o período de subscrição das ações da Modelo Continente (MC), a Sonae SGPS está esta segunda-feira a desvalorizar ligeiramente em bolsa (-0,08%) para 0,86 euros.
A este preço, a Sonae SGPS está avaliada em 1,72 mil milhões de euros - uns escassos 70 milhões acima do valor atribuído ao MC, admitindo o valor máximo do intervalo da oferta de venda (1,65 euros por ação).
A Sonae conta obter com a operação uma receita bruta de 359 milhões (a cifra depende do preço e da volume de ações colocadas), mas terá sempre de suportar despesas de 17,8 milhões entre as comissões aos bancos pela montagem da operação e as taxas pela venda das ações. Barclays, BNP Paribas e Deutsche Bank são os bancos coordenadores da operação.

A soma das partes

É da natureza das holdings cotarem sempre a desconto, mas no caso da Sonae SGPS o desvio entre a soma do valor intrínseco de cada negócio e a avaliação em bolsa é considerada exagerado pela generalidade dos analistas.
Com o MC a valer entre 1,4 mil milhões e 1,65 mil milhões, significa que o mercado atribui valor quase nulo aos restantes formatos de retalho e serviços financeiros e às participações detidas por exemplo, na Sonae Sierra (50%) ou na operadora Nos (24%). Só a posição na NOS vale 650 milhões. As avaliações dos analistas que seguem a Sonae SGPS variam entre 1,27 (Haitong) e 1,50 (JB CapitalMarkets).
Com uma desvalorização, em 2018, de 23% (o PSI cai 4%), a Sonae SGPS está entre as cotadas que mais perde - ainda assim, a Jerónimo Martins tem um desempenho ainda mais desfavorável (29%).
Um dos méritos da entrada em bolsa da MC, com acesso garantido no PSI 20 numa próxima revisão, é conceder maior visibilidade aos negócios do conglomerado da família Azevedo. Num primeiro momento, a colocação estava reservada a investidores institucionais, mas o modelo final reservou 50 milhões de ações para o retalho (5% do capital da empresa).
Nos fóruns de bolsa, as opiniões dos investidores dividem-se. Há investidores que antecipam uma procura elevada e um forte rateio, admitindo uma pressão grande nos primeiros dias "para construir a posição". Outros receiam que o preço saia exagerado e a cotação corrija depois da operação, considerando mais vantajoso comprar Sonae SGPS, pelo desconto a que transaciona. Ao valor máximo, o preço da MC "multiplica por dois o valor contabilístico, enquanto a cotação da Sonae é inferior ao valor contabilístico", argumenta um investidor.

Economia portuguesa prospera

Na apresentação que fará nas praças internacionais, a Sonae acentuará a liderança do mercado (22%) e eficiência operacional, a capacidade de inovação e caráter vanguardista com quota de mercado de 70% de no comércio eletrónico do retalho alimentar, clientela fidelizada (3,7 milhões de cartões de cliente, cobrindo 85% das famílias), margens atrativas (9% no 1º semestre), a promessa de um dividendo atrativo (40% a 50% dos lucros) e uma taxa de penetração em Portugal do retalho alimentar inferior à média europeia.
Mas, um dos slides da apresentação traduz-se em elogios ao atual momento do país, enfatizando o "crescimento significativo" da economia, o baixo de desemprego e a subida dos indicadores de confiança. "A economia portuguesa prospera", o que se reflete "num aumento de rendimento disponível e da confiança dos consumidores".
Nos prospeto da operação, a Sonae admite que o preço possa ser revisto, em alta ou em baixa, impondo como condição para o sucesso da operação a colocação, no mínimo, de 21,7% da MC - se a procura se revelar robusta, a Sonae pode vender, no máximo, 33,7% da empresa.
A operação marcará o regresso à bolsa da MC, com um perfil diferente. A Modelo Continente fez parte das sete Ofertas Públicas de Venda (OPV), a preço fixo, com que a Sonae brindou o mercado um mês depois do crash de outubro de 1987 e dois anos depois da abertura do primeiro Continente.
A MC foi a única que teve um desempenho bolsista muito favorável e resistiu em bolsa, ao contrário das outras OPV's, durante vários anos. Saiu numa reorganização da área da distribuição em 2006.