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Sonae e CTT colocam cinco milhões de produtos online para revolucionar o shopping

Gaspar d’Orey, presidente- -executivo da Dott quer replicar no digital a lógica de proximidade das lojas de rua

FOTO rui duarte silva

As duas empresas vão juntar milhões de produtos no comércio digital. Projeto arranca até ao final do ano.

A Dott, a empresa que nasce da parceria da Sonae com os CTT para criar uma plataforma de comércio eletrónico, vai arrancar com um milhão de referências e vai alargar a oferta até aos cinco milhões de produtos nos próximos dois anos. A ambição “é ser o maior shopping online de Portugal”, diz Gaspar d’Orey, presidente executivo do novo projeto, com arranque marcado para o final do ano.

Quando os CTT lançaram o desafio e a Sonae agarrou a ideia, em 2017, os trabalhos de casa começaram de imediato, e após a aprovação do negócio pela Autoridade da Concorrência as coisas aceleraram com uma equipa de 20 pessoas, dividida entre o Porto e Lisboa, a afinar a nova plataforma, pronta para aproveitar a tecnologia digital para criar novas relações comerciais de proximidade.

“Na loja de rua, no comércio tradicional, o cliente era tratado pelo nome e o vendedor conhecia as suas preferências. A Dott vai funcionar da mesma forma porque o e-commerce não tem de ser um ato isolado, aborrecido, e permite uma ultrapersonalização”, diz Gaspar d’Orey que destaca “a emoção da compra” como um dos quatro pilares estratégicos do projeto, a par da proximidade, da conveniência e da segurança dos dados envolvidos na transação.

Para a aproximação ao cliente, a Dott conta com a sua equipa de conteúdos e com as armas do marketing digital. De forma a garantir a conveniência de serviço, admite entregas em casa das pessoas, em função do horário, mas também noutros pontos de fácil acesso, como os balcões dos CTT, cacifos codificados na Gare do Oriente, hipermercados ou estações da Galp, num total de mais de 1500 pontos distribuídos pelo território nacional, prontos a receber, também, as devoluções.

Apostando num serviço de portugueses para portugueses, a empresa não exclui entregas fora do território nacional. “Vemos muito potencial nos mercados da saudade, o que significa trabalhar com portugueses que estão noutros países”, refere o presidente executivo.

A oferta inicial junta 200 empresas e 17 categorias, da moda e calçado aos brinquedos, eletrónica, acessórios automóvel, segmento gourmet e casa/jardim. Em dois anos, a base deverá ser alargada até às cinco mil empresas do lado dos fornecedores. A abertura a marcas estrangeiras é total, tal como a flexibilidade para juntar na mesma plataforma lojas de rua e sites internacionais, mas um dos objetivos da Dott é trabalhar com pequenas e médias empresas lusas que ainda estão afastadas do digital. “As empresas portuguesas têm uma percentagem muito reduzida de vendas online, abaixo dos 3%, quando no Reino Unido ou na Alemanha passam os 15%”, sublinha o gestor de 35 anos, já com experiência em grupos como a Mota-Engil e a Sonae antes de liderar este projeto.

As entregas em Portugal continental e na ilhas são feitas para 95% dos produtos num prazo máximo de 48 horas e tudo o que tem a ver com a experiência de compra será tratado pela Dott, já com espaços em Lisboa e no Porto para montar dois armazéns. Na prática, a empresa funciona como um intermediário entre as marcas/lojas e o cliente final, recebendo comissões em função das vendas e investindo em marketing digital para alavancar o crescimento.

O preço a pagar pelo consumidor será definido em função das modalidades de entrega, variando mais em função do prazo de entrega do que dos locais escolhidos.
A Dott diz que a concorrência de gigantes internacionais das vendas online como a Amazon, não a assusta. Assume a sua juventude e flexibilidade como mais-valia e acredita ter na proximidade aos clientes nacionais um trunfo. Depois, junta as experiências dos CTT, líder na distribuição/entregas, e da Sonae, líder no segmento do retalho em Portugal, já com vendas superiores a €100 milhões no online.