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Portugueses e chineses juntam-se para fazer casas de luxo

A moradia T6, a maior tipologia que vai ser construída 
neste empreendimento 
onde vão nascer 88 casas

d.r.

Investimento. Empreendimento fica na Quinta da Marinha, em Cascais, e vai custar €100 milhões, sendo um dos maiores em curso em Portugal

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O último e único terreno que havia disponível para construção na Quinta da Marinha, em Cascais — mesmo em frente aos hotéis Quinta da Marinha e Sheraton e ao lado do ginásio, clube de ténis e do campo de golfe — vai finalmente ser ocupado 30 anos depois de ter sido loteado pela autarquia em 1988.

Ainda este ano arranca a construção do Bloom Marinha, um empreendimento de 88 moradias de luxo cujo investimento é, neste momento, o maior em Cascais e um dos maiores em Portugal, tanto em dimensão como em valor: mais de €100 milhões em 14 hectares.

“É atualmente o maior projeto em curso no concelho de Cascais destinado a um condomínio fechado de moradias para o segmento alto do mercado”, diz ao Expresso o arquiteto Adriano Callé Lucas, do ateliê CPU que, em colaboração com o gabinete italiano BEST, está responsável pelo desenho deste empreendimento.

De facto, “não havia construção desta dimensão nesta zona há mais de 10 anos. O último grande empreendimento foi o Hotel Sheraton que também tinha casas para vender e que já vendeu tudo a sete mil euros por metro quadrado”, acrescenta, por sua vez, Adriano Lucas, filho de Callé Lucas e um dos acionistas da Bloom Marinha, a sociedade que está a investir neste projeto.

Composta pela Zaphyra Capital, fundada pelos portugueses Adriano Lucas e André Alves Ribeiro, e pela Reformosa, uma promotora chinesa que tem já vários outros empreendimentos concluídos e em curso em Lisboa, a sociedade Bloom Marinha descobriu este terreno em 2015, quando ele já pertencia ao BPI, acabando por o comprar no início de 2017. Antes disso pertencia ao grupo Champalimaud que ali estava a desenvolver um projeto já desde 2009, mas que nunca chegou a avançar por causa da crise, acabando por ir parar às mãos do banco. Aliás, é por isso que este é “o único terreno onde, segundo o Plano Diretor Municipal (PDM) de Cascais, se pode construir na Quinta da Marinha. Os restantes não têm alvará nem projeto e no PDM está definido que só nos terrenos que têm essas características é que se pode construir”, explica o arquiteto Callé Lucas.

Ou seja, como é costume nestes negócios, “foi uma questão de oportunidade”, conta André Alves Ribeiro.

88 casas em 14 hectares

O terreno onde vai surgir o Bloom Marinha tem um total de 14 hectares, ou seja, mais ou menos o equivalente a 14 campos de futebol, mas a construção está longe de ser maciça. Pelo contrário. Apenas serão construídas 88 moradias, 74 com um piso e 14 com dois pisos e geminadas duas a duas, e todas elas terão áreas generosas, mesmo nas tipologias menores e tanto no interior da casa como no exterior, já que todas elas terão jardim e piscina privada.

Por exemplo, há um T1 com um total de 320 m2, dos quais 145 m2 são de área interior coberta e o restante de área de jardim. Há ainda um T4 com 1500 m2, dos quais quase 500 m2 são de área interior, ou seja, 1000 são no exterior. Ou também um T6 com 2900 m2 de terreno, dos quais 850 m2 são interiores e o restante, já se sabe, é ocupado por uma zona de jardim.

Em suma, as casas têm tipologias que vão do T1 ao T6, com as áreas totais a ir dos 320 aos 2900 m2 e as áreas interiores cobertas a oscilar entre 145 e 850 m2.

Ora, com tanta área de jardim, a arquitetura focou-se em criar uma forte ligação entre o interior e o exterior, como se um fosse a continuação do outro, diz Callé Lucas. “A integração na paisagem é muito importante. As casas estão abertas para o exterior e isso foi uma preocupação que tivemos desde o início porque, neste momento, é o que nos parece correto em termos de arquitetura. É isso que as pessoas estão a pedir”, adianta, por sua vez, Adriano Lucas.

Além disso, privilegiou-se a simplicidade, repara André Alves Ribeiro, referindo-se às linhas direitas, ao uso da madeira e das grandes janelas e portas de vidro ou ainda aos pátios interiores que vão surgir no centro de algumas das casas.

A preocupação com a natureza não foi, contudo, apenas na arquitetura. Como as moradias têm coberturas planas, todas elas têm painéis solares para aquecimento das águas sanitárias que estarão depois interligados a um sistema de aquecimento da casa. Mas, para que não se use tanto esse sistema de ar condicionado vai ser feito um isolamento de 80 milímetros na cobertura.

E os preços?

As vendas do Bloom Marinha ainda não foram oficialmente lançadas — está apenas na fase de pré-vendas — e, por isso, a empresa prefere não revelar em pormenor todos os preços, avançado apenas que “começam nos €700 mil a €750 mil” e que a casa de maiores dimensões — a moradia T6 com 2900 m2 de área — custará mais de dois milhões de euros. Ou seja, apesar de Cascais estar a começar a seguir a tendência de Lisboa no que respeita aos aumentos de preços, comenta André Alves Ribeiro, os valores do Bloom Marinha ainda não estão ao mesmo nível dos que são praticados na capital atualmente.

Além disso, são também mais baixos do que se se quiser construir uma casa de raiz na Quinta da Marinha, em alguns dos lotes de terreno que ainda sobram. “Esses lotes estão a mil euros o metro quadrado o que pode chegar a uns dois milhões de euros só pelo terreno. Depois ainda falta a construção”, acrescenta o arquiteto Callé Lucas.

Os preços que estão a ser pedidos e também o facto de “haver poucos empreendimentos de moradias deste género em Cascais” fez com que as duas empresas já começassem a ter alguns contactos de potenciais interessados, nomeadamente de brasileiros, mas também de portugueses.

E isto apesar de se estar ainda na fase de pré-vendas e de a obra só estar pronta daqui “uns dois ou três anos”, diz Adriano Lucas. De acordo com este responsável, “o objetivo é construir o empreendimento em quatro fases, mas pode ser tudo numa única fase. O acelerador são as vendas”. Até porque este projeto está a ser financiado com capitais próprios das duas empresas, mas também e com recurso à banca, acrescenta o mesmo responsável.

Outra característica que tem despertado o interesse dos potenciais compradores é o facto de estas casas terem uma série de serviços incorporados como receção e segurança 24 horas, lavandaria, serviço de quartos e de limpeza, bicicletas ou manutenção de todo o empreendimento, incluindo das piscinas.

Além disso, está ainda prevista uma zona comercial de conveniência logo na entrada do empreendimento, mesmo em frente ao hotel Quinta da Marinha, e que poderá será usada por outros moradores além dos do Bloom Marinha. Este espaço terá um total de sete lojas, das quais um supermercado de 1600 m2 e ainda uma área infantil. “Hoje não há lá nada disto. Por exemplo, para ir ao supermercado têm de pegar no carro, ou seja, eliminámos os pontos negativos de se viver na Quinta da Marinha”, conclui Adriano Callé Lucas.