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Portugal lidera paridade salarial nas tecnologias

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Trabalho. Estudo global aponta Portugal como o melhor país para as mulheres desenvolverem carreiras tecnológicas. Empregabilidade e igualdade nos salários justificam escolha

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

O índice “Women in Tech” (mulheres nas tecnologias), elaborado anualmente pela plataforma europeia de recrutamento tecnológico Honey.pot, aponta Portugal como o melhor país — entre os Estados-membros da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) — para uma mulher desenvolver carreira na área tecnológica. Entre os 41 países analisados, Portugal destaca-se pelas oportunidades existentes, a empregabilidade do sector e a igualdade salarial entre homens e mulheres nesta área. O único problema é que continuam a ser poucas as mulheres a trabalhar em tecnologia no país.

É uma das áreas de maior empregabilidade e os salários são aliciantes, mas, dos mais de 108 mil profissionais que trabalham no sector tecnológico em Portugal, apenas 17.500 são mulheres. As contas da plataforma Honey.pot — que opera a nível europeu a partir de escritórios no Reino Unido, Alemanha e Holanda e que também recruta em Portugal — apontam para 16% de mulheres a trabalhar em tecnologias de informação (TI) em Portugal.

Este número contrasta com o facto de o país figurar, segundo a OCDE, no topo da lista dos 35 Estados-membros com maior percentagem de mulheres com formação superior nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), 58%, muito acima da média dos países da organização (39%), e de registar menores índices de desigualdade salarial (pay-gap) entre homens e mulheres nas carreiras tecnológicas.

O “Women in Tech Index” sustenta a posição de Portugal na lista com a forte dinâmica de empregabilidade do sector a nível nacional, mas também com o facto de o pay-gap entre homens e mulheres na área ser significativamente inferior (menos 7,2%) ao dos restantes sectores da economia. Ainda assim, a desigualdade salarial entre homens e mulheres no sector tecnológico em Portugal é de 11%, tendo diminuído dois pontos percentuais face a 2010. Segundo o estudo, o salário médio dos trabalhadores tecnológicos nacionais é de €31.491 brutos anuais. As mulheres ganham, em média, €27.996.

Startups ajudam

Para o posicionamento de Portugal como o país mais ‘amigo’ das profissionais tek não terá sido alheio o boom do ecossistema empreendedor nacional e a entrada do país na rota das capitais do movimento startup global. Fatores que levam Ema Tracey, cofundadora da Honey.pot, a reconhecer que “escolher uma carreira tecnológica é hoje economicamente menos arriscado em Portugal do que noutros países”. Para a representante da plataforma, “os países que hoje têm mais a oferecer às mulheres que aspiram a uma carreira tecnológica — onde se inclui Portugal — deram passos muito importantes nos últimos anos no que toca à paridade e à justiça salarial no sector tecnológico”.

Ainda assim, Portugal está muito longe de ser o que paga melhor. Nos Estados Unidos, que figura no topo da lista em matéria de remunerações, um profissional de TI ganha em média €79.595 brutos anuais e na Irlanda €59.313. Portugal não chega aos €32 mil, e os profissionais beneficiam de incrementos salariais devido à escassez de talento no sector. Um estudo da consultora de recrutamento Hays e da Oxford Economics conclui que o país apresenta um dos mais elevados níveis de pressão salarial em sectores altamente qualificados, sendo apenas ultrapassado por Suécia e Nova Zelândia. A área tecnológica é onde mais se sente esta pressão.

Longe de ser apenas uma questão ética ou moral, a paridade de géneros no emprego é também uma questão económica. A consultora McKinsey fez contas e defende que promover a igualdade das mulheres no trabalho renderia 12 mil milhões de dólares (€9,7 mil milhões) à economia global até 2025. Apesar disso, oito em cada dez empregos no sector continuam a ser ocupados por homens, segundo o Instituto Europeu da Igualdade de Género. O estereótipo de que “os rapazes são melhores a adquirir competências digitais” permanece, segundo Virginija Langbakk, diretora do instituto, a grande força de bloqueio à representatividade das mulheres em carreiras tecnológicas. Enquanto não se inverter esta realidade, a Europa continuará a desperdiçar talento que é cada vez mais escasso, alerta.