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Quinta-feira cinzenta nas bolsas americanas

Bolsas de Nova Iorque no vermelho, com índice das tecnológicas a perder 1,8%. Em Buenos Aires, o índice Merval deu um trambolhão de 3,9% e o peso voltou a cair face ao dólar. Juros da dívida dos EUA subiram até 3,23%, um máximo de sete anos

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados bolsistas americanos, de Norte a Sul, fecharam no vermelho esta quinta-feira. Mas não chegou a ser uma quinta-feira negra, ficou-se pelo cinzento. O índice MSCI para os Estados Unidos recuou 0,86% e o índice MSCI para a América Latina perdeu 2,1%.

Estas quedas do outro lado do Atlântico juntaram-se às perdas de 1% registadas na Ásia Pacífico e na Europa, pressionando o índice MSCI mundial para um recuo de 1%. O pior desempenho esta quinta-feira verificou-se no grupo dos mercados emergentes, cujo índice MSCI respetivo perdeu 2,4%.

No New York Stock Exchange, a principal bolsa do mundo, o Dow Jones 30 caiu 0,75% e o S&P 500 perdeu 0,86%. Uma queda mais acentuada registou-se na bolsa das tecnológicas em Times Square, com o índice Nasdaq 100 a cair 1,9%. O índice FANG Plus, das dez 'estrelas' mundiais da nova economia - duas das quais chinesas -, deu um trambolhão de 2,9%.

Em Buenos Aires, o índice Merval afundou-se 3,9%, a maior queda nos mercados latino-americanos nesta quinta-feira. O índice iBovespa, de São Paulo, fechou a cair 0,57%. Na cidade do México, o índice da bolsa recuou 0,77%.

Volatilidade elevada e subida dos juros da divida americana

A volatilidade disparou em Wall Street, com uma subida do índice de pânico (conhecido tecnicamente por VIX associado ao índice S&P 500) em mais de 30%, o que chegou a ser a segunda maior do ano. Abrandou depois na ponta final da sessão, terminando com um aumento de 23%.

A agitar Wall Street e a América Latina, e em particular a Argentina, esteve esta quinta-feira a subida dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos para um máximo de sete anos. Chegaram a 3,23% durante a sessão, e encerraram o dia em 3,19%.

A remuneração destes títulos, considerados seguros, tornou-se extremamente atraente face a juros muito baixos de 0,5% para as obrigações alemãs no mesmo prazo, também consideradas seguras, e em relação a juros muito mais elevados emitidos por economias emergentes com dívida de alto risco.

Peso argentino volta a cair

O governo argentino espera selar o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional na próxima semana em Bali, à margem da assembleia geral anual da organização liderada por Christine Lagarde. O Fundo aceitou aumentar o resgate à Argentina em mais 7,1 mil milhões de dólares (€6,2 mil milhões), subindo-o para 57,1 mil milhões (€49,6 mil milhões).

A moeda argentina começou a flutuar numa banda entre 34 a 44 pesos por dólar desde 1 de outubro. Para além desses limites, o Banco Central da República Argentina (BCRA) intervém no mercado cambial. Esta quinta-feira fechou em 39,2 pesos por dólar, ainda abaixo do limite máximo da banda, mas implicando uma desvalorização do peso em relação ao dia anterior.

Entretanto, apesar do BCRA manter a taxa diretora em 65%, anunciada a 28 de setembro, a nova equipa do banco central decidiu subir as taxas de remuneração das letras de liquidez (títulos conhecidos pelo acrónimo Leliq) a 7 dias para 72,835%. A taxa diretora do BCRA é a mais alta do mundo, superando largamente a segunda mais elevada, fixada pelo Banco Central da República da Turquia, que está em 24% desde 13 de setembro.