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Juros da dívida dos EUA em máximo de sete anos. Volatilidade dispara em Wall Street

Os juros dos títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos sobem esta quinta-feira para 3,2%. Os dois principais índices de Wall Street perdem perto de 1%. Nasdaq cai 1,9%. Índice de pânico regista terceira pior sessão do ano. Europa fechou no vermelho, com Londres e Paris a recuarem mais de 1%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas à escala mundial foram esta quinta-feira fustigadas por uma onda vermelha. Depois das praças da Ásia e da Europa fecharem com perdas, Wall Street recua perto de 1% e o índice das tecnológicas em Times Square, o Nasdaq, cai 1,9%.

Nas grandes economias emergentes mais vulneráveis, o índice RTSI de Moscovo e o Merval de Buenos Aires afundam-se quase 3%, o BIST 100 de Istambul perde 2,8% e o iBovespa em São Paulo cai 1,4%. Este grupo integra o novo acrónimo BRATS (das iniciais dos quatro mercados mais a África do Sul) que se está a revelar o grupo de economias mais sensíveis às mudanças na política monetária norte-americana.

Os mercados financeiros nos EUA estão a ser marcados esta quinta-feira pela subida dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano acima de 3%, fixando um novo máximo de sete anos em 3,19%. Os investidores apostam em que a Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, anunciará mais uma subida das taxas de curto prazo até final do ano, fechando 2018 no intervalo 2,25%-2,5%. A probabilidade da taxa diretora aumentar 25 pontos-base na reunião de 19 de dezembro é, agora, de 78,5%, face a 71% há um mês atrás.

A atratividade da remuneração dos títulos dos EUA está a provocar uma debandada das bolsas,onde se regista uma sobrevalorização das ações em níveis que já não se viam desde 2001. O rácio entre o preço e os lucros das ações, também conhecido como índice de Shiller (do Prémio Nobel Robert Shiller), está acima de 33. O que significa que o preço das ações do S&P 500 vale 33 vezes mais do que os lucros médios dos últimos dez anos, corrigidos pelo ciclo. A média histórica do multiplicador é de 16,5, tendo atingido um máximo acima de 44, em dezembro de 1999, no auge da bolha das dot-com.

O índice de volatilidade bolsista associado ao S&P 500, também conhecido como índice de pânico, disparou esta quinta-feira 29%. É a terceira pior sessão deste ano, depois de um disparo de 116% em 5 de fevereiro e de 30,7% a 22 de março.

Na tecnologia, o índice FANG Plus (que abrange as 10 'estrelas' da atual economia digital, incluindo duas chinesas) está a perder mais de 3%.