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Construção de casas disparou 38,3% até julho

Rui Duarte Silva

O mercado imobiliário queixa-se que faltam 70 mil casas, nomeadamente para as classes média e média-baixa, mas a verdade é que as autarquias autorizaram 11.404 novas habitações em sete meses

Um dia depois de o sector imobiliário ter vindo a público dizer que os jovens e as famílias portuguesas têm cada vez mais dificuldade em comprar casa, sobretudo nas cidades de Lisboa e Porto, e que é urgente construir rapidamente 70 mil novas habitações, as estatísticas hoje publicadas pela associação que representa a construção mostram que já está a haver uma resposta ao problema.

Com efeito, segundo os dados hoje divulgados pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), nos primeiros sete meses do ano foram licenciadas pelas autarquias 11.404 novos fogos, o que representa um aumento de 38,3% face ao mesmo período do ano passado.

Por outro lado, o novo crédito concedido, pelas instituições financeiras, para aquisição de habitação nos primeiros sete meses, registou uma subida, em termos homólogos, de 26,4% para 5,69 mil milhões de euros. Já o crédito concedido pela banca às empresas do setor da construção e imobiliário registou, em julho, uma quebra homóloga de 4,9%.

Apesar da evidência estatística, Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) ontem referia, em comunicado que se nota que começa a haver dinâmica no mercado de construção, “que nos poderá induzir em erro e dar a falsa sensação de que o mercado está a agir para colmatar a necessidade de renovação de stock”.

Não há resposta às necessidades das classes média e média-baixa

No entanto, e ainda segundo o mesmo responsável, “há que ter em atenção dois pontos importantes: um, o tempo que demora até estes ativos entrarem no mercado, tempo que os jovens e famílias não podem esperar para poderem ter uma casa, e outro, que é o facto de muita desta construção estar a ser dirigida para o mercado médio-alto e alto, não dando resposta às necessidades da classe média e média baixa, que é quem mais sofre com a ausência de casas”.

A verdade é que, de acordo com os dados hoje divulgados pela AICCOPN – que têm por base as estatísticas do INE e o Banco de Portugal – nos primeiros sete meses de 2018, foram emitidas pelas Câmaras Municipais 8.620 licenças de construção nova e reabilitação de edifícios habitacionais, o que traduz um acréscimo de 22,6% em termos homólogos

Já o consumo de cimento no mercado nacional registou, em julho, um aumento, de 11,1%, confirmando a tendência de crescimento dos últimos três meses. Em termos acumulados, desde o início do ano, o aumento é de 4,7%, elevando o consumo de cimento no mercado nacional para 1,64 milhões de toneladas.

Quanto ao valor médio da avaliação bancária na habitação, estimado em julho, foi de 1.187 euros por m2, valor que traduz um aumento de 6,3% em termos homólogos. Nos apartamentos, assistiu-se a uma subida de 6,7% para 1.252 euros por m2 e nas moradias verifica-se uma subida de 5,6% para 1.102 euros por m2.

Na análise por zonas do país, a AICCOPN refere que na Área Metropolitana de Lisboa sem observou um aumento de 26% nos fogos licenciados em construções novas até julho. Destes, 70,8% são de tipologia T3 ou superior, 23,6% de tipologia T2 e 5,6% de tipologias inferiores. Quanto aos valores de avaliação bancária na habitação nesta região verificou-se, em julho, um aumento em termos homólogos, de 7,9% para 1.468 euros por m2.