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Bolsas da Ásia e Europa no vermelho. Preço do petróleo em máximo de quatro anos

Os mercados bolsistas da Ásia fecharam esta quinta-feira com perdas pela quarta sessão consecutiva. As praças europeias, depois de uma quarta-feira com ganhos de 0,3%, regressaram ao vermelho. PSI 20, em Lisboa, segue tendência europeia. Barril de Brent acima de 86 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados acordaram esta quinta-feira com os investidores nervosos. Risco de um Brexit sem acordo, cerco económico da Administração Trump à China, preço do petróleo em máximos de quatro anos agitam as praças financeiras.

As bolsas da Ásia fecharam a sessão no vermelho pelo quarto dia consecutivo. Os índices de Mumbai, na Índia, e de Hong Kong lideraram as quedas com recuos de 2% e 1,8% respetivamente. Tóquio, a principal bolsa asiática e terceira mundial, perdeu 0,6%. As duas bolsas da China permanecem encerradas em virtude de uma semana de feriados desde 1 de outubro, comemoração da proclamação da República Popular da China em 1949.

Na Europa,a abertura, esta quinta-feira, regista perdas generalizadas. Os principais índices das bolsas de Londres e Paris lideram as quedas perto de 0,9%. Em Lisboa, o PSI 20, recua 0,4%. A acalmia no braço-de-ferro entre Roma e Bruxelas sobre a estratégia de défices orçamentais até 2021 com o executivo italiano a admitir reduzir as metas a partir de 2020, permitiu às bolsas da zona euro registarem na quarta-feira ganhos de 0,3%.

O Brexit continua a concentrar a atenção dos investidores financeiros. Apesar de o "The Times" ter referido esta semana que o governo de Theresa May está a preparar "concessões significativas" para desbloquear o impasse nas negociações com a União Europeia (UE), a chefe do executivo afirmou na quarta-feira que "não haverá um acordo a qualquer preço". "A Grã-Bretanha não tem medo de deixar [a UE] mesmo se tiver de ser sem acordo", concluiu. Está agendada uma reunião das partes sobre o Brexit para 17 de outubro, antes da cimeira europeia do dia seguinte.

Os futuros em Wall Street estão, também, em terreno negativo.

O preço do barril de Brent (a variedade europeia do ouro negro) subiu na quarta-feira para 86,74 dólares, um máximo de quatro anos, e mantém-se na abertura desta quinta-feira acima de 86 dólares. Apesar dos dois principais exportadores do mundo, a Arábia Saudita e a Rússia, terem acordaddo em setembro passarem a produzir mais mil milhões de barris por dia, os mercados continuam a recear que as sanções da Administração Trump ao Irão a partir de novembro provoquem uma redução na oferta global.

Os analistas asiáticos referem que a a Administração Trump, depois do acordo obtido no fim de semana passado com os dois vizinhos, Canadá e México, vai concentrar ainda mais a pressão sobre a China. O objetivo é o cerco económico à China, e isso ficou ainda mais claro com a introdução de um artigo no acordo de comércio para a América do Norte exigindo que os parceiros sejam informados logo na fase inicial de acordos com outros países que não sejam considerados economias de mercado. Os investidores vão estar atentos a se esta cláusula será inscrita em acordos com a UE e Japão.