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Como a China está a fazer sorrir os industriais portugueses

Nawadoln Siributr / Getty Images

Pequim desce tarifas aduaneiras em 1585 artigos a partir de novembro. Em Portugal, há sectores atentos à abertura de uma nova porta no gigante asiático. "Isto pode ser muito positivo para nós", dizem os industriais metalúrgicos

Em plena guerra comercial com os Estados Unidos, a China anunciou descidas nas tarifas aduaneiras que aplica à importação de 1.585 artigos a partir de novembro. Nos têxteis e na metalúrgia, as taxas descem de 11,5% para 8,4%, o que pode abrir novas oportunidades às empresas portugueses nestes sectores.

"Isto pode ser muito positivo para nós", comenta Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP - Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, que representa o sector mais exportador da economia nacional.

Em 2017, as vendas do metal nacional para a China somaram 370 milhões de euros, mais 67,8% do que um ano antes, e o país foi o 8º destino das exportações portuguesas do sector. Em 2018, "os números são menos interessantes, verificando-se um decréscimo homólogo de 29,6% nos primeiros sete meses do ano", refere o dirigente associativo, certo de que a nova política tarifária da China pode trazer oportunidades de negócio.

No caso dos têxteis e vestuários, os dados da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, mostram que as exportações para a China aumentaram 19% ou 5,7 milhões de euros em 2017 e, até julho deste ano, estavam a crescer 79% ou 16,7 milhões de euros, o que representa o terceiro maior crescimento absoluto nos primeiros sete meses de 2018, atrás de Itália e Holanda e confirma a necessidade do sector estar atento ao potencial do gigante asiático e às mudanças em curso.

A descida das tarifas aduaneiras, anunciada na China, foi justificada pela necessidade de "promover um desenvolvimento equilibrado do comércio externo e promover uma maior abertura ao mercado externo", explicou o ministro chinês das Finanças. citado pela Reuters.

No conjunto dos 1.585 artigos da nova lista apresentada por Pequim, as taxas médias de importação descem de 10,5% para 7,8%. Em termos gerais, diz o governo de Pequim, as taxas descem de uma média de 9,8%, em 2017, para os 7,5%, em 2018.

Esta medida de Pequim é considerada pelos analistas como uma resposta indireta à decisão dos Estados Unidos aplicaram novas tarifas de 10% à importação de uma lista alargadas de produtos chineses desde o passado dia 24 de setembro, com possibilidade de subirem este valor para os 25% no início do próximo ano.