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Prémio Produção Nacional. Nunca foi mais elevado

Alguns dos vencedores da noite

Impulsionar a produção agrícola sustentável e de qualidade e reconhecer os projetos mais inovadores. É esta a missão, há cinco anos, do Grupo Intermarché com o Prémio Produção Nacional

Fátima Ferrão

Foram mais de 80 de candidaturas válidas que se apresentaram a concurso na 5ª edição do Prémio Intermarché Produção Nacional, “o número mais elevado de sempre”, salientou Martinho Lopes, administrador do Grupo Intermarché.

O responsável falava durante a abertura da cerimónia de entrega dos prémios, que decorreu hoje na Câmara de Comércio e Indústria de Lisboa, recordando o trabalho que tem sido feito, ao longo dos últimos anos, com os 170 produtores nacionais com quem o grupo trabalha atualmente.

Muitos destes pequenos empresários não teriam hoje os produtos nas prateleiras dos supermercados não fosse esta iniciativa. Além do reconhecimento pelo seu trabalho, os projetos vencedores garantem espaço nas lojas e, consequentemente, uma crescente notoriedade junto dos consumidores, mais vendas e o tão importante escoamento da produção.

A postos para saber o resultado da decisão do júri estavam os doze finalistas, distribuídos pelas quatro categorias a concurso: produção primária, produtos transformados, inovação e ideias com potencial.

Na duas primeiras categorias foram escolhidos dois vencedores em cada, a que se juntaram duas menções honrosas. A Carne da Cachena da Peneda DOP, projeto de criação de bovinos da raça cachena no Parque Nacional da Peneda-Gerês, promovido pela PEC Nordeste em conjunto com a Cooperativa Agrícola dos Arcos de Valdevez e Ponte da Barca; e a Castanha dos Soutos da Lapa DOP, que dinamiza a produção de castanha da região pelas mãos da Agrotamanhos, receberam a distinção na categoria de produção primária. A menção honrosa foi para o projeto Maçã Riscadinha de Palmela.

Já na categoria Produtos Transformados, os premiados foram os vinhos Manzwine, oriundos do vale de Cheleiros, em Mafra, e o Gotik Gin, produzido no Ribatejo a partir de abóbora manteiga. Nesta categoria, a menção honrosa foi para o azeite Olmais, produzido em modo biológico na Quinta dos Olmais.

Para receber o prémio inovação subiu ao palco a responsável pela Queijaria Artesanal Gourmet Brejo da Gaia, de Abrantes, distinguida pelo Queijo de Kefir de Leite de Cabra, de caraterísticas macrobióticas. Nesta categoria foi ainda atribuída uma menção honrosa ao projeto Graduva – Óleo de Graínha de Uva, promovido pela Destilaria Levira. O Peito de Pato Fumado Fatiado, da Quinta dos Fumeiros, foi o projeto vencedor na categoria Ideias com Potencial, tendo a menção honrosa sido entregue à Nature Fields, produtora da carne biológica Geo do Prado.

Sustentabilidade no ADN

Um dos objetivos do prémio promovido pelo Grupo Intermarché passa por incentivar os pequenos produtores nacionais a dinamizar projetos de caráter sustentável, com o menor impacto possível no ambiente. O tema esteve, por isso, em discussão no Momento Expresso que antecedeu a entrega dos prémios Produção Nacional. Moderado por Patrícia Carvalho, jornalista da SIC Notícias, o debate contou com a presença de João Branco, presidente da Quercus, Rui Assis, diretor do Intermarché, Susana Mendes, sócia-gerente da Pepe Aromas (uma das empresas vencedoras em 2017), Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP, e Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED.

Portugal, como referiu o presidente da APED, está, ao nível da sustentabilidade, a par dos restantes países europeus e, em alguns casos, “mais avançado até”. Para tal, diz o responsável da associação das empresas da distribuição, “muito contribui o empenho das diversas insígnias presentes no mercado”.

A questão dos plásticos foi outro dos temas em discussão. “É possível fugir ao plástico”, acredita Susana Mendes que, no seu projeto, alterou por completo as embalagens a pedido dos consumidores. No entanto, este é um problema complicado que, para João Branco, está longe de ter uma solução em breve. “O plástico está em todos os sectores e há muita pressão política para que não seja abandonado”, acusou: “Há interesses em toda a cadeia de valor, pelo que a resposta terá que ser por via da legislação”.

Uma opinião com a qual o presidente da APED discorda. “Não se mudam hábitos por decreto”, afirmou, lembrando que existe uma estratégia europeia, que inclui um conjunto de metas a ser implementadas até 2030, e que incentivam o abandono do saco plástico. Contudo, reconhece, “é uma questão ambiental que obriga à mudança de mentalidades”.