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Juros da dívida italiana em máximo de quatro anos. Mas não há contágio

Os juros das obrigações italianas a 10 anos abriram esta terça-feira no mercado secundário com uma subida para 3,4%, um máximo desde fevereiro de 2014. Juros da dívida portuguesa estão estacionários. Metas do défice orçamental definidas por Roma para os próximos três anos desagradam a Bruxelas

Jorge Nascimento Rodrigues

A subida do custo de financiamento da dívida italiana não para. Os juros dos títulos transalpinos a 10 anos, o prazo de referência, abriram esta terça-feira acima de 3,4%, um máximo desde fevereiro de 2014. Em relação ao fecho de setembro, o disparo soma 30 pontos-base em duas sessões de outubro.

O prémio de risco da dívida italiana fechou na segunda-feira em 283 pontos-base (o equivalente a 2,83 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência na zona euro). Representa um aumento de 16 pontos-base em apenas uma sessão.

A situação no mercado da dívida pode agravar-se com a expetativa de que as agências de notação Moody's e S&P desçam o rating da dívida italiana nas próximas avaliações a 6 e 26 de outubro. A notação está atualmente dois níveis acima de 'lixo financeiro'. Pode descer um nível, aproximando-se da linha vermelha de dívida especulativa.

O contágio nos restantes periféricos não se verifica por enquanto. Os juros das Obrigações do Tesouro português, naquele prazo de referência, abriram esta terça-feira em 1,9%, o mesmo nível de segunda-feira. António Costa avançou na segunda-feira em entrevista à TVI que o objetivo do governo para 2019 é descer o défice em cinco décimas para 0,2% do PIB. O primeiro-ministro assegurou ainda "a irreversibilidade de tudo aquilo que já conseguimos" em matéria de ajustamento. No caso das obrigações espanholas, a subida dos juros é ligeira, tendo aberto em 1,5%, e para os títulos gregos e irlandeses a trajetória é de descida esta terça-feira.

O jornal italiano La Repubblica avançou na segunda-feira que a Comissão Europeia se prepara para rejeitar o orçamento italiano para 2019 depois de ele seguir para Bruxelas a 15 de outubro. O governo italiano definiu um défice de 2,4% como meta para os próximos três anos, de modo a ter margem orçamental para cumprir promessas eleitorais.

O défice previsto até 2021 rompe com a trajetória de descida do défice e está muito acima dos objetivos iniciais do ministro de Economia italiano, que se mantém em funções. Numa reunião de ministros das Finanças do euro na segunda-feira no Luxemburgo, Giovanni Tria avançou aos colegas que a proposta de orçamento ainda não está fechada e que o governo mantém o compromisso de descer em um ponto percentual o nível de dívida pública no PIB nos próximos três anos, contando com um crescimento acima de 1,5%. As previsões do Fundo Monetário Internacional apontam, pelo contrário, para uma desaceleração da economia transalpina até 0,8% em 2021.

O défice orçamental caiu de 2,5% do PIB em 2016 para 1,9% no ano seguinte e a previsão para 2018 é de descida para 1,6%. A dívida pública desceu para 131,5% do PIB no ano passado.