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Forum para a Competitividade admite défice próximo de zero

FOTO marcos borga

Portugal pode ter o défice mais baixo de sempre mas, segundo o Forum para a Competitividade, num ano em que o equilíbrio orçamental é feito à custa de aumento de impostos indiretos, cativações e degradação dos serviços públicos e um valor de investimento público muito baixo

O governo prepara-se para cumprir o défice mais baixo de sempre, próximo de zero, refere o mais recente relatório de conjuntura do Forum para a Competitividade.

“Mas, com uma conjuntura económica favorável, o equilíbrio orçamental é feito à custa de aumento de impostos indiretos, cativações e degradação dos serviços públicos e um valor de investimento público muito baixo. Para além disso, não cremos que alguma vez tenha havido tão pouca transparência e accountability num exercício orçamental como este ano”, refere o mesmo documento.

A apreciação do Forum para a Competitividade chama ainda a atenção para o facto de haver um conjunto de indicadores preliminares sobre o 3º trimestre “que apontam para a desaceleração que já tínhamos previsto, sobretudo na construção e no turismo, os dois maiores criadores de emprego”.

Também os indicadores de confiança, sobretudo dos consumidores, “estão em queda, tal como na indústria. As dormidas nos estabelecimentos hoteleiros e similares de não residentes caíram 4,5% em Julho, quando já tinham caído 5,5% em Junho”, refere ainda o relatório.

E prossegue referindo que “dada a importância do turismo na nossa recuperação económica e na obtenção de excedentes externos, essenciais para reduzir o nosso elevadíssimo endividamento externo, aqueles dados são preocupantes”.

Taxa de poupança das famílias continua em queda

Os analistas do Forum para a Competitividade sublinham ainda que no ano terminado no 2º trimestre de 2018, a taxa de poupança das famílias caiu pelo segundo trimestre consecutivo, de 4,6% para 4,4% do rendimento disponível, muito próximo do mínimo de 4,0% registado no ano terminado no 3º trimestre de 2017. “A este facto não será alheio o forte crescimento registado no crédito ao consumo”.

Em relação ao conjunto da economia, “a capacidade de financiamento baixou de 1,1% para 0,7% do PIB no final do 2º trimestre de 2018. O investimento recuperou dos mínimos de 14,9% do PIB em 2013, para 17,1% do PIB, um valor mais compatível com a reposição do equipamento”. Ou seja, e ainda segundo os responsáveis do Forum, “parece que o total de capital utilizado na economia terá parado de cair, mas isto estará a ser feito à custa da diminuição do excedente externo, podendo colocar em causa a sua sustentabilidade”.