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Esta plataforma analisa a sua expressão numa entrevista de emprego. Há mais hipóteses se for parecido com o melhor

A HireVue analisa a linguagem corporal, tom de voz e expressão facial dos candidatos a emprego

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Empresas como Unilever, Vodafone, Intel ou Goldman Sachs utilizam a plataforma HireVue para analisar as microexpressões faciais e a postura corporal dos candidatos. O objetivo é reduzir ao máximo as hipóteses de uma escolha errada. Está preparado para lidar com as novas regras dos processos de seleção?

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Se Kevin Parker, CEO da HireVue, estiver certo, esta plataforma de entrevistas vídeo criada em 2004 por Mark Newman marcará o futuro dos processos de recrutamento a nível global. Já sabemos que há robôs a realizar entrevistas de emprego e algoritmos a assegurar a triagem de candidatos e validar as informações dos seus currículos ou cartas de apresentação. Mas o que a HireVue se propõe fazer, garante o CEO, “concorre num campeonato totalmente diferente”.

A plataforma utiliza a inteligência artificial para comparar entrevistas de emprego, pré-gravadas pelos candidatos, com o melhor dos profissionais que já desempenhou o cargo naquela empresa. São analisados aspetos como a postura corporal, as micro-expressões faciais e o tom de voz dos primeiros, comparando-os com os do segundo. Os candidatos são selecionados à imagem e semelhança de quem já passou pelo cargo e deixou boas memórias às chefias e bons resultados ao negócio.

Poderão os profissionais de uma empresa tornar-se “clones” de um funcionário modelo e a diversidade ser eliminada das organizações? É um risco. Mas o problema não está no software, está na decisão dos líderes de contratar profissionais com mais semelhanças do que diferenças entre si. E para o CEO da HireVue, o que muitos apontam como uma limitação da plataforma que criou pode até ser uma mais valia, se considerarmos, por exemplo, funções onde seja importante que os candidatos tenham perfis (quase uma formatação) muito similares e orientados para a cultura da empresa.

À imagem e semelhança do funcionário-modelo

No essencial, o que a plataforma procura fazer é minimizar os riscos de uma contratação errada, filtrando perfis de candidatos que já se sabe que, à partida, funcionarão bem naquela função pelas suas características, poupando aos recrutadores tempo e dinheiro. Tempo, na análise de centenas de candidatos e na realização de um número infindável de entrevistas, e dinheiro, já que, recorda o líder, os custos associados a uma má contratação são muito elevados.

Empresas como a Vodafone, a Unilever, a Intel e a Goldman Sachs, entre muitas outras, já utilizam a plataforma, que em 2008 angariou €82 milhões numa ronda de financiamento de Série A, permitindo incorporar na base do seu negócio a inteligência artificial.

No início, tudo o que a HireVue fazia era permitir aos candidatos gravar respostas a entrevistas de emprego e fazer o seu upload para uma plataforma onde ficavam acessíveis a potenciais recrutadores. Quem conduzia os processos de recrutamento podia assim comprar a forma como os diferentes candidatos se apresentavam. Desde há quatro anos, as possibilidades são outras.

Depois de um período de desenvolvimento e otimização da plataforma, a HireVue passou a combinar softwares de reconhecimento de voz e microexpressões faciais, com um algoritmo que permite determinar qual dos candidatos mais se assemelha ao candidato ideal. E quem é afinal o candidato ideal? “É definido por uma combinação de fatores, que vão desde linguagem corporal, tom de voz, construção do discurso e palavras-chave utilizadas. Estes fatores são definidos a partir das entrevistas de emprego realizadas aos profissionais da empresa que sejam referenciados como top performers naquela área específica”, explica.

Um algoritmo filtra depois os candidatos que mais se destacam nesta comparação. Ao recrutador cabe a decisão de dedicar ou não mais tempo a avaliar os candidatos identificados e fazê-los passar por outras etapas de seleção, como uma entrevista presencial. É que para a maioria das mais de 600 empresas globais que já usam esta ferramenta, ela funciona apenas como um primeiro mecanismo de seleção, utilizado sobretudo no recrutamento de posições mais juniores.

Se o CEO da empresa estiver certo, a plataforma deverá entrar rapidamente no radar dos recrutadores que, com as crescentes dificuldades de encontrar pessoas com as qualificações desejadas, estão cada vez mais preocupados em recrutar rápido e certeiro.