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Bolsas. Acordo de Trump não entusiasma Ásia e rebelião italiana agita Europa

As principais praças asiáticas fecharam esta terça-feira com perdas e as bolsas europeias estão a negociar no vermelho, com destaque para Milão. Em Lisboa, o PSI 20 segue a tendência na zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

O impulso dado na segunda-feira pelo anúncio no fim de semana de um novo acordo comercial para os três vizinhos da América do Norte foi sol de pouca dura. E a perspetiva de um confronto político entre Roma e Bruxelas a propósito da meta de défice orçamental para 2019 está a agitar os mercados europeus.

As praças financeiras asiáticas fecharam esta terça-feira no vermelho, com Hong Kong a destacar-se com uma quebra de 2,7% do índice Hang Seng. O índice Nikkei 225, de Tóquio, fechou ligeiramente abaixo da linha de água. O índice MSCI para a Ásia Pacífico recuou 0,8%. A negociação na Ásia não contou com as duas bolsas chinesas, fechadas desde segunda-feira até 5 de outubro em virtude da comemoração da proclamação da República Popular da China a 1 de outubro de 1949, e a bolsa de Mumbai esteve esta terça-feira encerrada em virtude do feriado em memória de Mahatma Gandhi .

A zona euro abriu com perdas generalizadas. A bolsa de Milão destaca-se com uma quebra de 1%. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) está a cair quase 1%. Em Lisboa, o índice PSI 20, perde 0,5%. O risco de uma escalada no confronto entre Roma e Bruxelas a propósito da meta de défice orçamental para 2019 - invertendo a trajetória de ajustamento - está a colocar os investidores nervosos.

O vice-primeiro-ministro iitaliano Luigi Di Maio afiançou esta terça-feira que o governo de Roma não recuará "nem um milímetro" na subida do défice orçamental. Entretanto, Claudio Borghi, presidente da comissão para o orçamento na Câmara dos Deputados do Parlamento italiano, declarou à Radio Anch’lo que “com uma moeda própria, Itália poderia resolver os seus problemas”. Borghi, da Liga de Matteo Salvini, é autor de “Basta Euro” publicado em 2014.

O anúncio no fim de semana de um novo acordo comercial entre os EUA e os seus dois vizinhos, México e Canadá, deu algum impulso na segunda-feira nas bolsas de Nova Iorque, mas não alterou o mau desempenho na Ásia, no grupo das economias emergentes e na América do Sul. As praças da zona euro fecharam com uma subida marginal, de 0,04%. O índice MSCI mundial encerrou segunda-feira com um ganho de 0,16%, em virtude da subida de 0,35% em Nova Iorque.

O novo acordo comercial para a América do Norte, batizado de USMCA, mas vulgarmente designado como "Nafta 2.0" pelos analistas, colocou um ponto final nas tensões entre os três vizinhos, mas não parece contagiar otimismo para a principal frente de guerra comercial dos EUA com a China.

O presidente Trump considerou na segunda-feira que é "muito cedo" para dialogar com Pequim. Segundo o diário South China Morning Post de Hong Kong, Matt Pottinger, diretor para a Ásia do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, disse numa receção na embaixada chinesa em Washington que a relação com a China é de "competição" e não de cooperação.

A par da escalada na guerra comercial, a tensão no Mar do Sul da China e o cancelamento de uma reunião de alto nível agendada para outubro entre o Secretário da Defesa dos EUA Jim Mattis e o seu homólogo chinês, o general Wei Fengh, fez subir os alertas de analistas asiáticos de que os Estados Unidos e a China caminham para uma “nova guerra fria”, como titula esta terça-feira o Asian Times.