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António Costa critica falta de ambição do Banco de Portugal na redução do malparado

TIAGO PETINGA

Primeiro-ministro acha que a plataforma para gerir o malparado da banca é insuficiente e que tanto o Banco de Portugal como os bancos deviam ser “mais ousados” na resolução do problema

O primeiro-ministro criticou esta segunda-feira a tibieza do Banco de Portugal e do sector financeiro na redução dos níveis de crédito malparado. Segundo António Costa, a plataforma criada entre o BCP, CGD e Novo Banco para gerir o malparado comum é “insuficiente” e que “quer o Banco de Portugal quer a banca deviam ser um pouco mais ousados a resolver esse tipo de problemas”.

A insatisfação do Governo foi manifestada durante a entrevista que António Costa concedeu esta segunda-feira à noite à TVI, para fazer um ponto de situação das negociações para o Orçamento do Estado para 2019.

Questionado sobre se está preocupado com o excesso de crédito na economia, face aos crescimentos sucessivos do crédito à habitação e do crédito ao consumo, António Costa começou por responder que o que o preocupa é a falta de investimento produtivo.

Entre as causas para a falta deste investimento está a banca, que “está muito aquém do que é normal no investimento as empresas” e que “ tem de ganhar uma cultura de crédito de maior risco” em vez de se “acomodar exclusivamente no crédito ao consumo das famílias ou no crédito de compra de casa própria”.

Já quanto à forma como os bancos estão a lidar com o malparado, que em março deste ano rondava os 34,7 mil milhões de euros, depois de ter atingido um pico de 17,9 mil milhões em junho de 2016, António Costa mostrou-se insatisfeito com os progressos.

O Agrupamento Complementar de Empresa (ACE) criado entre o Novo Banco, BCP e Caixa Geral de Depósitos (CGD) para gerirem o malparado é um mecanismo “insuficiente”, diz António Costa, que culpa o sector financeiro por, há dois anos, não ter ido mais longe. “Nem os bancos nem o Banco de Portugal consideraram na altura necessário” que se fosse além desta Plataforma de Gestão de Créditos Bancários, apontou.

E, embora “a bem da verdade”, reconheça que o crescimento económico tem vindo a dar um empurrão aos bancos na venda das carteiras de crédito ou na sua recuperação, António Costa adianta que “eu, pessoalmente, acho que quer o Banco de Portugal quer a banca deviam ser um pouco mais ousados a resolver esse tipo de problemas”. Seja como for, esta é “uma matéria sobre a qual há ainda propostas sobre a mesa, que estão a ser estudadas pelo BdP, que têm vindo a ser apreciadas pelo ministério das finanças”.

Malparado tem vindo a diminuir mas continua acima da média

Os níveis de crédito malparado (os chamados NPL) na banca são um risco para a estabilidade do sector financeiro, limitando a sua capacidade de concessão de crédito à economia e a sua rendibilidade. Apesar de nos últimos anos os NPL terem vindo a descer de forma sustentada, eles continuam muito acima da média europeia, mantendo as autoridades alerta.

No final de março, 12,8% de todo o crédito concedido pelos bancos estava classificado como crédito “mau”, bem acima da média europeia (7,3%) e apenas atrás da Grécia e de Chipre.