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Medo das emissões poluentes causa quebra de 10% nas vendas de carros em setembro

Sean Gallup/Getty

Com receio de virem a pagar mais pelos carros novos comprados a partir de setembro, os portugueses anteciparam as compras, em agosto. Mas, afinal, o preço a pagar pelas emissões poluentes ainda não se vai sentir para já

Em setembro deste ano foram vendidos em Portugal 16.534 veículos automóveis, ou seja, menos 10,1 por cento do que em igual mês do ano anterior.

Os dados, agora divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) referem ainda que, apesar daquele registo negativo, nos primeiros nove meses do ano foram colocados em circulação 214.941 novos veículos, o que representou um crescimento homólogo de 6,0 por cento.

Sobre a quebra de vendas em setembro, que se segue a um disparo homólogo de 28% em agosto, a ACAP sublinha que pode ter ficado a dever-se ao receio do impacto das mudanças operadas no sistema de medição das emissões de CO2, a transição para um novo ciclo de ensaios WLTP - Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedure (Procedimento de Teste Global harmonizado para Veículos Ligeiros).

O que se passa é que desde 1 de setembro deste ano, que todos os novos modelos lançados no mercado, passaram a ter de apresentar obrigatoriamente valores oficiais de consumos e emissões de acordo com o ciclo WLTP.

As emissões poluentes pesam muito nos impostos

Ao contrário do que chegou a ser inicialmente noticiado, o preço dos automóveis novos não aumentou em setembro, como temiam as marcas, por conta da mudança do sistema para medir as emissões poluentes que iria ter impacto na carga fiscal. É que, em Portugal, as emissões de CO2 pesam muito nos impostos e as novas regras de cálculo fazem subir os valores apurados para cada veículo.

Tal como o Expresso noticiou em primeira mão, a 3 de agosto, o Governo vai alterar as tabelas dos impostos aplicados aos automóveis no sentido de esbater o efeito das novas normas europeias, que iriam fazer subir os preços. A entrada em vigor do novo sistema WLTP ocorre em setembro, mas até dezembro o cálculo dos impostos terá por base os valores das poluentes emissões calculadas pelo atual sistema, o NEDC (New European Driving Cycle).

“A Autoridade Tributária deve apresentar, no âmbito dos trabalhos de preparação do Orçamento do Estado para 2019, uma proposta de revisão das atuais tabelas de ISV e de IUC e das normas que consagram isenções fiscais condicionadas a limites de emissões de CO2, ajustando-as aos níveis de emissões decorrentes do novo sistema WLTP”, determina um despacho de 1 de agosto do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes.

O governante sustenta ainda que “a transição do sistema de medição de emissões para o WLTP deve ser acompanhada de ajustamento das atuais tabelas do ISV e do IUC, as quais forma aprovadas com o pressuposto do sistema de medições então existente”.

Venda de ligeiros cai 14%

Apesar desta informação oficial, receosos, os portugueses que estavam a pensar comprar carro novo, anteciparam as suas aquisições, o que acabou por acelerar as vendas de carros em agosto, com a quebra agora divulgada relativa a setembro.

Na análise das vendas por categorias e tipos de veículos, a ACPA refere que foram matriculados 12.771 automóveis ligeiros de passageiros novos, ou seja, menos 14% do que no mês homólogo do ano anterior. Nos nove primeiros meses de 2018 as matrículas de veículos ligeiros de passageiros totalizaram 182.677 unidades, o que se traduziu numa variação positiva de 6,5% relativamente a período homólogo de 2017.

Já no que respeita a ligeiros de mercadorias registou-se uma evolução favorável, tendo crescido 4,8% face ao mês homólogo do ano anterior, situando-se nas 3.148 unidades matriculadas. Em termos acumulados, no período de janeiro a setembro de 2018 o mercado atingiu 28.247 unidades, o que representou um acréscimo de 3,9% face ao período homólogo do ano anterior.