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FMI: Dívida mundial subiu 60% desde 2007

Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional

Getty

Fundo Monetário Internacional aponta para que a dívida mundial, tanto pública como privada, seja atualmente de 182 mil milhões de dólares (ou cerca de 157 mil milhões de euros), mais 60% do que em 2007

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Uma nova estima do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgada esta segunda-feira, aponta para que a dívida mundial, tanto pública como privada, seja atualmente de 182 biliões de dólares (ou cerca de 157 biliões de euros), um valor 60% acima do registado em 2007.

O valor foi divulgado por Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, durante um discurso de antecipação das reuniões anuais entre o organismo que dirige e o Banco Mundial, que se realizam na próxima semana em Bali, na Indonésia. Segundo a diretora, esta dívida poderá “aumentar a pressão nos mercados financeiros”.

“Para a maior parte dos países, conduzir o barco da retoma económica significa criar mais espaço para agir quando a nova e inevitável desaceleração chegar”, afirmou Christine Lagarde em Washington. A diretora-geral do FMI considerou ainda que, dez anos depois da crise financeira mundial, “estamos mais protegidos, mas não o suficiente”. Isto porque o nível de endividamento deixou Estados e empresas “mais vulneráveis a um endurecimento das condições financeiras”.

O FMI aconselha assim à criação de espaço orçamental através da redução do défice, algo que deve ser feito de uma “forma justa e amiga do crescimento, através de despesa mais eficiente e assegurando que o fardo do ajustamento é partilhado por todos”. São desejáveis ainda mais avanços na regulação financeira, tendo os Estados de manter as regras estabelecidas pós-crise.

O que mais preocupa ao FMI, afirmou também a directora-geral, é a possibilidade de se desencadear uma guerra comercial, que passou de hipotética para real. “A retórica está a dar a lugar a uma realidade em que há, de facto, barreiras comerciais”, que prejudicam não apenas o comércio, como também “o investimento e a indústria, devido ao aumento da incerteza”. E os que começam já a sentir os efeitos disso são as “economias emergentes”. Quanto a isso, Christine Lagarde deixa uma recomendação - se não se puder chegar a um acordo entre todos os países, então que sejam feitos acordos comerciais flexíveis entre países da Organização Mundial do Comércio que tenham uma abordagem e pensamento semelhantes”.