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Metade do negócio da venda de casas faz-se em Lisboa

tiago miranda

O Norte está a ganhar mais destaque, porque preços estão a subir

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Quase metade do dinheiro que se faz com as casas que são vendidas em Portugal realiza-se em Lisboa.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados na semana passada, no segundo trimestre deste ano, dos €6,2 mil milhões que se fizeram com a venda de casas no país durante esse período, €2,9 mil milhões referem-se a negócios fechados em Lisboa. Uma situação já se tinha verificado no trimestre anterior, em que o valor total das casas transacionadas foi de €5,4 mil milhões em todo o país e em Lisboa foi de €2,6 mil milhões. Ou seja, tudo somado, dos €11,6 mil milhões transacionados o ano passado, €5,6 mil milhões foram feitos em Lisboa.

Isto justifica-se com o facto de se venderem mais casas em Lisboa do que nas outras regiões do país, mas acima de tudo deve-se a uma subida mais expressiva dos preços médios (cerca de 20%), porque muito do que se tem construído, reabilitado e vendido na capital são casas de luxo ou para a classe média alta ou para estrangeiros, a valores que chegaram a atingir os €10 mil por metro quadrado.

A prová-lo está o facto de que os €2,9 mil milhões é o valor da venda de 16.300 casas enquanto que na região Norte se fez €1,4 mil milhões na venda de 13.200 casas, ou seja, pouco menos do que em Lisboa. E se estreitarmos a análise apenas à Área Metropolitana do Porto (AMP) ainda é mais evidente como os preços em Lisboa são os mais altos do país. Segundo dados do INE, no segundo trimestre deste ano venderam-se 7800 casas por 977 milhões de euros.

Ainda assim, de acordo com os dados do INE, no segundo trimestre do ano, “a região Norte foi a que evidenciou o maior crescimento do valor das habitações transacionadas”, mais precisamente 39,2%. Enquanto que na capital se começa já a verificar uma estabilização dos preços.

Esta tendência de Lisboa ser a cidade onde se faz a maior parte do dinheiro das vendas das casas já se vinha a registar desde o início de 2017. Nesse ano, segundo os mesmos dados do INE, Lisboa representou pouco mais de €9 mil milhões num total de €19,3 mil milhões atingido na venda de casas. Uma realidade que se justifica por ter sido a partir desse ano que começaram a aparecer e a ficar concluídos muitos dos edifícios que estavam em construção e reabilitação.

Contudo, nos anos anteriores, houve trimestres em que Lisboa chegou mesmo a fazer mais de metade dos negócios imobiliários, mas neste caso não tanto por causa dos preços, mas a base era menor e, principalmente, porque se faziam menos negócios noutras regiões.

Vendas crescem mais de 20%

Analisando o número de casas vendidas verifica-se que, entre o segundo trimestre de 2017 e o de 2018, as transações nesse período cresceram mais de 23% (de 36,8 mil para 45,6 mil casas). E se fizermos a conta aos primeiros seis meses do ano, o crescimento foi de quase 20% (de 72 mil para 86,3 mil).

Como referido, Lisboa surge destacada com 35,8% das vendas fechadas no segundo trimestre do ano, mas é nas outras regiões do país que as vendas mais crescem. Por exemplo, o Norte “ultrapassou pela primeira vez o limiar das 13 mil transações”, pelo menos desde o primeiro trimestre de 2012 que é quando começam os dados do INE. E com isso representou 29,1% das vendas. Além disso, “pela terceira vez nos últimos quatro trimestres, a região Centro representou mais de sete mil transações, enquanto o Algarve ultrapassou as quatro mil vendas. O Alentejo apresentou, pelo quinto trimestre consecutivo, um número de transações acima das duas mil unidades”, conclui o INE.