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Estes apartamentos vêm com uma bicicleta elétrica incluída

Inovação. Mobilidade e co-living são os conceitos por detrás do Citiflat Centro, uma obra da empresa chinesa Level Constellation

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Imagine um edifício onde os apartamentos vêm com uma bicicleta elétrica e um elevador próprio, uma garagem com carregadores elétricos — também para carros — e ainda uma sala de convívio com um ecrã gigante patrocinado pela Sport TV. Parece um pouco futurista, mas é uma realidade, ou vai ser a partir de julho de 2020 quando este empreendimento da empresa chinesa Level Constellation estiver pronto.

Chama-se Citiflat Centro (apartamento de cidade na tradução à letra), fica em Lisboa, perto da nova sede da Polícia Judiciária, no edifício da antiga Clínica de Todos os Santos e, tem duas características que o distinguem: o co-living e a mobilidade.

No que respeita à mobilidade, “todos os lugares de garagem terão carregadores elétricos e todos os apartamentos trazem uma bicicleta elétrica. Além disso, o prédio tem um elevador próprio para bicicletas, porque às vezes elas não cabem nos elevadores normais”, adianta ao Expresso o diretor geral da Level Constellation, Pedro Vicente. Que acrescenta: “Com isto, a mobilidade vai passar a estar na casa das pessoas.”

A empresa chinesa Level Constellation, que tem já vários edifícios reabilitados em Lisboa, escolheu o arquiteto Miguel Saraiva para fazer 
o projeto do Citiflat Centro. O desenho privilegiou a ligação ao exterior

A empresa chinesa Level Constellation, que tem já vários edifícios reabilitados em Lisboa, escolheu o arquiteto Miguel Saraiva para fazer 
o projeto do Citiflat Centro. O desenho privilegiou a ligação ao exterior

Já no caso do co-living — que se aplica a edifícios de apartamentos onde há, por exemplo, cozinhas ou lavandarias que são usadas por todos os inquilinos — a empresa optou por algo “mais ligeiro e mais adaptado à cultura do país”, explica o mesmo responsável. “Não enveredámos pela definição tradicional de co-living, mas criámos uma zona comum na entrada que vai ter o desporto como elemento agregador. Nesse sentido fizemos um acordo com a Sport TV que vai equipar essa sala com um ecrã gigante e acesso aos canais. Não se justifica termos aqui cozinhas comuns devido ao tipo de empreendimento que é e a quem se destina”, explica Pedro Vicente.

Outra das características que distingue este empreendimento é estar pensado para um grupo específico de compradores. “São profissionais liberais, como advogados ou médicos, que ainda são jovens mas têm já uma capacidade financeira que pode não chegar aos €500 mil dos vistos gold, mas já chega aos valores que estamos a pedir”, adianta.

Apartamentos T0 e T1

Com 38 apartamentos de tipologia T0 e T1, todos eles com varandas e pátios exteriores, os preços começam nos €260 mil para os T0, que têm 40 m2, e os €320 mil para os T1, que têm 60 m2. Ou seja, pelas contas do Expresso isto atira os preços para um pouco mais de cinco mil euros por m2. “A Level Constellation opera neste nível de preços nos seus empreendimentos e assim vai continuar, pelo menos no centro de Lisboa, porque há procura. Para fazer preços mais acessíveis as zonas de construção têm de ser outras, fora do centro. Na Baixa não dá para construir barato e vender mais barato. Neste momento um T1 custa uns €400 mil”, repara Pedro Vicente.

De facto, as manifestações de interesse começaram antes do empreendimento estar oficialmente à venda, o que só aconteceu na quinta-feira, 27 de setembro. E também antes de começarem as obras, que só arrancam em janeiro de 2019, e se prolongam até julho de 2020, que é a data prevista para a conclusão, como referido em cima.

“Os mediadores encarregues da comercialização dizem-nos que esse interesse partiu essencialmente de compradores portugueses e de investidores que pretendem comprar para depois arrendar, mas estou em crer que a percentagem de compradores portugueses vai disparar.”

O Citiflat Centro é o primeiro de muitos edifícios debaixo desta nova marca criada pela Level Constellation, uma empresa de capitais 100% chineses que está já há uns anos em Portugal a reabilitar edifícios e a transformá-los em habitação, maioritariamente de luxo ou para a classe alta ou média alta.

“Há planos para desenvolver o Citiflat Avenida e o Citiflat Rio. É uma linha de apartamentos que vamos anunciando, e que terá sempre este conceito de mobilidade e de co-living que, neste último caso, também terá o desporto como elemento agregador em todos eles. À partida, será assim em todos, mas podemos ir por outros caminhos”, diz Pedro Vicente.

Valores de investimento é que não há. Tanto para o Citiflat Centro situado na antiga Clínica de Todos os Santos — que a Level Constelattion comprou há apenas seis meses — como para os restantes que estão já em estudo. “A política da empresa passa por não revelar esses valores”, remata.