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Roma desafia Bruxelas. Juros disparam. Bolsa de Milão cai 3%

O governo italiano decidiu fixar o défice para os próximos três anos em 2,4%, desafiando a trajetória de descida que Bruxelas pretendia de equilíbrio de contas em 2021. Mercados reagem esta sexta-feira fazendo subir os juros da dívida italiana a 10 anos para novos máximos de quatro anos e ações dão trambolhão na bolsa milanesa

Jorge Nascimento Rodrigues

O ministro da Economia italiano Giovanni Tria foi derrotado e o governo de coligação do Movimento 5 Estrelas e da Liga resolveu quinta-feira à noite inverter a trajetória de redução do défice orçamental, apontando para 2,4% do PIB nos próximos três anos.

O ano em curso deverá terminar com um défice de 1,6% do PIB, abaixo dos registados em 2016 e 2017, respetivamente de 2,5% e 1,9%. A fixação do défice para 2019 acima de 2% é um desafio direto a Bruxelas, ainda que o nível fique abaixo da regra dos 3%.

A reviravolta política é clara. Em vez das projeções de descida do défice para menos de 1% em 2019 atingindo o equilíbrio orçamental em 2021, o ajustamento é colocado na gaveta e o governo pretende ganhar alguma margem para cumprir promessas eleitorais durante o início do seu mandato. As próximas eleições gerais serão realizadas em maio de 2023. O ministro Tria preferia a manutenção do défice em 1,6% do PIB em 2019 e admitia negociar uma meta de 2% face à pressão dos partidos da coligação. O orçamento para 2019 tem de ser apresentado à Comissão Europeia em meados de outubro.

Os mercados financeiros não gostaram. Os juros (yields) dos títulos transalpinos a 10 anos dispararam esta sexta-feira no mercado secundário para um novo máximo de quatro anos, estando acima de 3,25%. Na quinta-feira tinham encerrado abaixo de 3%. A subida a pique desta sexta-feira é já a maior do mês. O anterior pico do ano em curso tinha sido registado no final de agosto, com os juros a fecharem em 3,24%.

Contágio italiano mais forte nas bolsas

O efeito de contágio na dívida dos periféricos é, por ora, limitado. O juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos estão abaixo de 1,92%, o valor em que fecharam em agosto. Mas, no prazo a 5 anos, já estão ligeiramente acima do encerramento no mês passado. Para Espanha, no prazo de referência, os juros estão em 1,5%, acima de 1,487% no fecho de agosto.

Na Bolsa de Milão, o índice MIB está a cair perto de 4%. As praças na zona euro estão a negociar no vermelho. O contágio italiano parece ser mais claro no mercado de ações. O IBEX 35 em Madrid e o DAX em Frankfurt estão a cair mais de 1,5%. Em Lisboa, o PSI 20 está a perder 1,2%.