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Glintt põe o pé no acelerador da inovação

Nuno Vasco Lopes, CEO da Glintt, e João Paulo Cabecinha, administrador executivo da empresa

TIAGO MIRANDA

Tecnológica portuguesa é especialista em soluções na área da saúde. Está em seis países, emprega 1110 colaboradores, fornece mais de 200 hospitais e clínicas, além de 16 mil farmácias. Agora criou uma plataforma dedicada em exclusivo à inovação, área onde investe, por ano, 4 milhões de euros

Provocar reações, aguçar a curiosidade, promover a criatividade, estimular as ideias e, sobretudo, fazer trilhar o caminho da inovação fazem parte do dia-a-dia da Glintt - Global Intelligent Technologies, empresa cotada em Bolsa desde 1999 e que tem a sede no parque de escritórios da Quinta da Beloura, em Sintra.

Por fora o edifício é comum, mas lá dentro foi criado um ambiente que desperta os sentidos. A poucos passos da receção há um pequeno auditório invulgar. Os assentos podem dispor-se conforme a necessidade e, o local, revelou-se um sucesso entre os colaboradores que ali se juntam, muitas vezes, “para reuniões rápidas”, comenta Nuno Vasco Lopes, CEO (presidente executivo) da Glintt, com visível orgulho nas instalações da empresa.

O culto à criatividade e à inovação não são apenas uma opção para a Glintt, são vitais para o negócio. Se, por um lado, atrair e reter os melhores colaboradores é crucial, não menos importante é andar sempre um passo mais à frente do que a concorrência, que no mundo das tecnologias é feroz. Sobretudo tendo em conta que a Glintt é uma empresa portuguesa que concorre a nível global e, com 20 anos de atividade, permanece sem ser engolida pelos gigantes multinacionais. O foco na área da saúde distingue a sua posição no mercado.

Cada m2 das instalações da empresa, na Quinta da Beloura, não foi deixado ao acaso, o design moderno e as obras de arte povoam toda a sede

Cada m2 das instalações da empresa, na Quinta da Beloura, não foi deixado ao acaso, o design moderno e as obras de arte povoam toda a sede

TIAGO MIRANDA

A estratégia e o investimento anual em inovação estão a dar frutos. Em 2017, o volume de negócios situou-se nos 71 milhões de euros e, no primeiro semestre de 2018, verificou-se um crescimento da faturação na ordem dos 24% (para 41 milhões de euros), face a período idêntico do ano passado.

Especialista em consultoria e serviços tecnológicos na área da saúde, a Glintt fornece soluções de software a mais de 200 hospitais e clínicas. Além disso, cerca de 16 mil farmácias, em Portugal e Espanha, usam o seu sistema de gestão – aliás, a tecnológica nasceu dentro, e faz parte, do universo empresarial da Associação Nacional das Farmácias.

Teatro Inov é o nome dado ao pequeno auditório transformável, cujos assentos podem ser dispostos de diferentes formas

Teatro Inov é o nome dado ao pequeno auditório transformável, cujos assentos podem ser dispostos de diferentes formas

TIAGO MIRANDA

Plataforma agrega novas soluções

O compromisso com a inovação acaba, entretanto, de ganhar uma estrutura com a criação da Glintt Inov que dá sustentação aos projetos nascidos dentro de casa, mas também ao apoio que Glintt fornece a ideias externas à empresa. Fruto da necessidade de reforçar o compromisso com a criação de novas soluções na área da saúde, a Glintt Inov foi lançada recentemente e dada a conhecer aos parceiros e colaboradores da empresa.

“A Glintt tem a inovação no seu ADN e, desde há muitos anos, investimos no desenvolvimento de soluções com impacto no sector da saúde. É isso que nos diferencia e é isso que nos coloca na liderança do sector em Portugal e na Península Ibérica”, garante o CEO. “A Glintt Inov é a materialização desta nossa aposta, com a diferença de agora, além do que desenvolvemos internamente, termos um programa e meios para apoio direto a ideias e projetos disruptivos desenvolvidos por empreendedores dentro e fora da nossa empresa. A Glintt vai investir quatro milhões de euros em novas soluções para a saúde”, avança Nuno Vasco Lopes.

As prioridades estão traçadas, com várias iniciativas sólidas em andamento.

“A Glintt Inov surge do nosso conhecimento das necessidades do sector, que são cada vez mais complexas. Queremos ajudar a criar soluções tecnológicas que permitam dar aos profissionais de saúde mais disponibilidade para atenderem os seus pacientes e ceder-lhes informação mais completa e fiável. Acreditamos que a tecnologia vem auxiliar os profissionais no seu trabalho e aproximá-los dos seus pacientes”, sustenta João Paulo Cabecinha, administrador executivo da Glintt.

Nuno Vasco Lopes e João Paulo Cabecinha querem potenciar as boas ideias

Nuno Vasco Lopes e João Paulo Cabecinha querem potenciar as boas ideias

TIAGO MIRANDA

Enquanto agregadora de entidades e centros de competência, “guiados pela mesma escala de valores”, a Glintt Inov é uma plataforma que promove “as condições ideais para equipas desenvolverem os seus projetos disruptivos para a área da Saúde. Esta iniciativa é muito importante para o sector, porque acreditamos que será a partir daqui que vão sair soluções que permitirão melhorar a qualidade de vida dos portugueses”, considera João Paulo Cabecinha.

Há trabalho feito. Como o projeto MedOn, desenvolvido com o Centro Hospitalar da Cova da Beira e financiado pelo quadro comunitário Horizonte 2020. Trata-se de uma plataforma que pretende minimizar os erros na medicação quando um doente atravessa, durante o internamento, várias áreas do hospital. Os remédios que cada paciente toma estarão disponíveis através de uma aplicação, que também vai controlar as tomas. Mas há muitos outros projetos em andamento, que estão a ser liderados e financiados pela Glintt Inov.

Outro caso, é o Interact, um sistema para agregar toda a informação clínica de cada doente (deixa de estar dispersa) de forma a armazená-la na nuvem e, assim, ficar disponível para ser acedida pelos prestadores de saúde. Mas há outras iniciativas nas áreas da prevenção da doença e diminuição de comportamentos de risco; redução da pressão da procura desajustada; promoção da corresponsabilização do indivíduo na gestão da sua saúde; redução do risco clínico, entre outras

“Acreditamos que nos diferenciamos enquanto impulsionadores da inovação. Não estamos à espera que os clientes nos peçam uma solução para resolver um problema, mas adiantamo-nos a esta necessidade, o que é possível graças ao nosso contacto próximo com as entidades de saúde com as quais temos fortes relações”, frisa Nuno Vasco Lopes, ou fosse o objetivo tornar a Glintt na “referência para tudo o que está a mudar na área da Saúde em Portugal”.

A inspiração das ondas gigantes

Voltamos a olhar para ‘dentro de casa’. É que colaboradores satisfeitos e um bom ambiente de trabalho são veículos para as (boas) ideias e para fazer acontecer a ambicionada disrupção. Na sede, na Beloura, existe uma sala de convívio onde figuram pranchas de surf doadas por atletas com provas dadas – o brasileiro Lucas “Chumbo” Chianca e a portuguesa Joana Andrade -, “que simbolizam a capacidade de superação”, menciona Nuno Vasco Lopes.

Nas suas costas figura a fotografia, em tamanho XXL, de uma das míticas ondas da Nazaré.

O surf e a Nazaré animam a sala de convívio, onde estão expostas pranchas doadas por campeões da modalidade

O surf e a Nazaré animam a sala de convívio, onde estão expostas pranchas doadas por campeões da modalidade

TIAGO MIRANDA

Continuamos a visita guiada e somos acolhidos dentro de um contentor. “Era para albergar uma farmácia em Angola, mas o cliente não pagou a encomenda”, conta o CEO. O contentor acabou por ser colocado num jardim exterior da Glintt e foi reconvertido numa em sala de aula. Mas mais do que isso é uma obra de arte, que nasceu, a convite da Glintt, pelas mãos do autor de arte urbana português, Edis One.

Naquele dia, o improvável contentor acolhia a Academia Glintt, um programa de formação remunerado, cujo objetivo é “integrar jovens acabados de sair da universidade, vindos de áreas tão distintas como a gestão, engenharia ou saúde”, explica Nuno Vasco Lopes, frisando que, em três edições, “recebemos mais de 3300 candidaturas e contratámos mais de 200 pessoas”. As vantagens para a empresa são muitas. “São desde logo mergulhados na cultura da empresa”, refere o CEO da Glintt, acrescentando que estão a formar pessoas com competências transversais, com capacidade para ocuparem diferentes tipos de funções e, sobretudo, com treino para responderem com naturalidade (e vontade) a mudanças no trabalho.

Em 2016, a Glintt empregava 874 colaboradores que, em setembro de 2018, já ascendiam a cerca de 1110 espalhados pelo mundo, já que a empresa opera a partir de dez escritórios, em seis países: Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, Angola e Brasil.

Contentor que era para ser uma farmácia em Angola e que, hoje, é uma peça de arte urbana, depois de ter sido transformado pelas mãos de Edis One

Contentor que era para ser uma farmácia em Angola e que, hoje, é uma peça de arte urbana, depois de ter sido transformado pelas mãos de Edis One

TIAGO MIRANDA