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Montepio com lucros de 15,8 milhões de euros no primeiro semestre

Luis Barra

Aumento das comissões e redução de custos operacionais e menos imparidades são apontados como alguns dos principais fatores que permitiram a melhoria das contas do banco

O Montepio aumentou os seus resultados em 21,1% nos primeiros seis meses do ano - teve lucros de 15,8 milhões de euros, mais 2,8 milhões de euros do que em igual período do ano passado.

O banco liderado por Carlos Tavares – que desde 21 de março acumula o cargo de presidente executivo com o de presidente do conselho de administração – destaca como positivo o “aumento das comissões líquidas, que cresceram 3,9% para 57,4 milhões de euros” e a “redução dos custos operacionais em 4,5 milhões de euros, suportada essencialmente na diminuição dos gastos gerais administrativos em 3,7 milhões de euros (-9,2%)”.

“É um resultado ainda modesto, mas positivo”, salienta Carlos Tavares, em declarações aos jornalistas. E considerou que o ROE (rentabilidade sobre os capitais próprios) é “ainda baixo é insuficiente face ao desejável”.

O resultado contou também com a ajuda da redução das imparidades, nomeadamente de crédito. Contudo, o rácio de NPL (non performing loans, ou crédito malparado) é “ainda muito elevado”, constatou.

Em sentido contrário, a margem financeira diminuiu fruto, entre outros fatores, de alguma redução do montante de crédito. “Devemos ser dos poucos bancos que não estão a crescer entusiasticamente o crédito”, salientou Carlos Tavares. A explicação está na “alteração da política de risco” do banco e no preço. “O preço tem de pagar adequadamente o risco”, acrescentou.

Houve também uma “reorientacao comercial interna”, destacou o gestor, apontando o elevado foco no imobiliário que existia até recentemente.

O reforço dos depósitos dos clientes é outro ponto destacado por Carlos Tavares: mais 854 milhões de euros em termos homólogos.

Com as comissões a representarem cerca de 30% do produto bancário, Carlos Tavares considerou que “a margem para aumentar comissões é relativamente pequena”.

Montepio vai abrir 10 balcões até ao fim do ano

A administração de Carlos Tavares tem vindo a preparar um plano de transformação do Montepio que “vai marcar a evolução do banco nos próximos 3,5 anos pelo menos, que é o nosso mandato”, afirmou.

É um programa de “profunda mudança”, disse. E resumiu a estratégia numa frase: “procurar estar mais onde os outros estão menos”.

Um programa que passará por trabalhar “nos segmentos da população menos beneficiados por serviços bancários”.

Lembrando que, “fruto da reestruturação da banca, muitas áreas ficaram sem relação de proximidade” com a banca, Carlos Tavares anunciou que o Montepio vai abrir 10 balcões até ao fim do ano.

Este número insere-se num projeto de “abertura de pequenos balcões de proximidade, com custos controlados, em zonas com potencial e que podem ser diferentes das tradicionais”.

Para isso o banco estudou as 4300 freguesias do país. “Temos uma ideia clara onde há potencial e cobertura bancária insuficiente”.

E salientou que “pode ser feito com poucos custos”, já que quando houve fecho de balcões “houve pessoas reafetadas aos serviços centrais”.