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Governo cria “zonas livres tecnológicas” para operadores testarem 5G

yangyang/Getty

Para o governo, “será fundamental que sejam criadas condições para a existência de testes de 5G que possibilitem a simulação em condições reais dessa tecnologia e serviços, como as zonas livres tecnológicas”

O Governo anunciou nesta quinta-feira a criação de "zonas livres tecnológicas", nomeadamente em locais rurais ou "periféricos", para os operadores testarem a quinta geração móvel (5G), antes de entrar em funcionamento de forma oficial. "O Governo está empenhado em participar num projeto que se chama zonas livres tecnológicas, que é uma iniciativa governamental, transversal ao Governo, e em breve teremos notícias", disse o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d'Oliveira Martins.

Falando na 28.ª edição do congresso Digital Business Congress, organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, em Lisboa, o responsável acrescentou que, "no essencial, estes serão espaços que reúnem e replicam condições reais para [...] testar novos serviços de 5G e a interoperabilidade das redes". Para o governante, "será fundamental que sejam criadas condições para a existência de testes de 5G que possibilitem a simulação em condições reais dessa tecnologia e serviços, como as zonas livres tecnológicas".

Além disso, tais locais "têm todo o potencial para ser polos promotores de coesão territorial, alavancando investimento no interior, em zonas remotas ou periféricas", sustentou. Segundo o que foi acordado pela Comissão Europeia, pelo menos uma cidade por país deve ter a rede 5G em funcionamento em 2020. Em Portugal, isso ainda não está definido, faltando desde logo acordar uma data e a forma de atribuição do espetro.

Aludindo à consulta pública promovida pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) sobre o arranque do 5G, Guilherme W. d'Oliveira Martins afirmou que "já foi dado o primeiro passo para avaliar o interesse dos fabricantes de entidades privadas e públicas" nesta tecnologia."Sabemos que foi um processo amplamente participado, com contributos fundamentais", acrescentou.

Ao todo, foram 30 os contributos de entidades como a Infraestruturas de Portugal, a Ordem dos Engenheiros e a EDP, mas também dos principais operadores de telecomunicações que operam no país, entre os quais a Meo, Nos, Nowo e Oni e Vodafone, sobre a disponibilização de espetro na faixa de frequências dos 700 MHz e noutras faixas relevantes (450 MHz, 900 MHz, 1500 MHz, 1800 MHz, 2,1 GHz, 2,6 GHz, 3,6 GHz e 26 GHz).

"O desafio será agora encontrar um processo eficiente de atribuição, consentâneo com essas especificidades", observou o governante, falando num "sistema de leilão eletrónico que reúna todo o espetro, possibilitando por esta via a aquisição de faixas altas, médias e baixas para que os interessados possam explorar diferentes estratégias comerciais e investir nas que são eficientes".

De acordo com Guilherme W. d'Oliveira Martins, o executivo "está com o 'mindset' [pensamento] ligado ao 5G", uma vez que esta tecnologia "traz inquestionavelmente novas oportunidades e novos serviços, com novas capacidades e níveis de qualidade diferentes dos atuais". Além disso, "irá contribuir para uma mudança no paradigma ao nível do investimento que irá levar ao surgimento de novos modelos de negócio", razão pela "é essencial que as redes sejam seguras e resilientes, considerou.

"Temos a perfeita noção de que os operadores não investirão em novas infraestruturas sem perspetivas claras e condições regulamentares interessantes", adiantou Guilherme W. d'Oliveira Martins.