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10 tendências da comida do futuro

“Vamos comer menos, mas melhor”. Até 2027, vai haver mais produtos biológicos e regionais sobre as mesas portuguesas, garante um estudo sobre as grandes tendências agroalimentares em Portugal

“No futuro, vamos ter de reduzir o consumo per capita de alimentos. Vamos comer menos, mas melhor”, garante Rui Rosa Dias, professor do IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing, coordenador do estudo sobre as grandes tendências alimentares dos próximos 10 anos.

Nas mesas portuguesas, dentro de uma década, haverá desde logo mais alimentos biológicos e regionais, escolhidos numa lógica de proximidade e redução da pegada de carbono. E haverá, também, menos desperdício, garante este trabalho que definiu “as 10 tendências agrolimentares em Portugal para 2027” com base num painel de especialistas do sector público e privado que reuniu, entre outros, professores universitários, chefes de cozinha e empresários agroalimentares.

O mundo, em 2027, não será perfeito, mas as 10 tendências avançadas neste trabalho do IPAM indicam que o consumidor vai estar cada vez mais atento ao que come. No final, as culturas e tradições nacionais serão cada vez mais valorizadas na gastronomia:

1) Redução do desperdício alimentar

Portugal terá de encontrar “políticas eficazes que conduzam à redução do desperdício alimentar”, diz Rui Rosa Dias. O estudo prevê, nesta área, uma evolução significativa. Atualmente, a percentagem de desperdício ao longo de toda a cadeia logísitca alimentar anda nos 30% e, até 2017, esta percentagem deve cair para os 15%.

2) Maior consumo per capita de produtos biológicos

O painel de especialistas acredita que o mercado de consumo de produtos biológicos em Portugal, atualmente avaliado em 40 milhões de euros, pode saltar para os 100 milhões de euros. Assim, o consumo per capita de 4 euros passará para os 10 euros.

3) Gastronomia Regional certificada como Reserva Gastronómica Mundial

A valorização dos produtos autóctones e da gastronomia regional está a emergir. A valorização de pratos tradicionais como os rojões à moda do Minho ou o pica no chão passará pela sua certificação como Rerserva Gastronómica Mundial.

4) Crescimento da agricultura sintrópica

Nas práticas agrícolas e modo de produção, vão surgir produtos de excelência com base nas práticas da agricultura sintrópica, um conceito inspirado na dinâmica dos ecossistemas virgens, caracterizado pela organização, integração, equilíbrio e preservação de energia no ambiente.

5) Canal Horeca Nacional com certificação slow food

Hotéis, restaurantes e atividades de catering vão procurar uma aproximação ao modelo Slow Food, com projetos diferenciadores e, até com certificação. Em contraposição ao movimento de massificação e padronização oferecido pelo fast-food, os consumidores vão valorizar o produto/comida, o meio ambiente e a qualidade das suas refeições.

6) Pegada de carbono ganha peso na hora de escolher alimentos

É uma mudança comportamental. Os consumidores vão estar mais empenhados na redução da pegada de carbono e, na hora de ir às compras, selecionarão cada vez mais os produtos guiados por fatores como a distância que o alimento percorreu até chegar à sua mesa. Para responder a esta tendência de consumo, os fornecedores / distribuição, vão procurar encurtar os circuitos e oferecer produtos de proximidade.

7) “Comfort Food” como opção de menu

Quem vai ao restaurante está disponível para procurar cada vez mais ambientes familiares e comida que “conforta a alma”, aconchegante, a remeter para memórias da infância. E isto significa, mais uma vez, gastronomia regional de qualidade.

8) Rotulagem clara e objetiva

Em nome da verdade e transparência agroalimentares, as embalagens tendem a conter informação clara e objetiva sobre a composição dos alimentos e o grau de dependência. Açúcar, sal, intensificadores de sabor “ e outras artimanhas” usadas nos alimentos, a par de aditivos conservantes vão, assim, tornar-se mais visíveis.

9) Aparece o gastrónomo regional

O novo modelo de consumo conduz à criação da nova figura de Gastrónomo regional, para aconselhar os consumidores sobre os alimentos e o território.

10) Consumidor vai cocriar os alimentos

Para conferir mais confiabilidade aos alimentos, o sector agroalimentar nacional vai abrir as portas à cocriação, o que significa que o consumidor pode ajudar a definir o produto e, no limite, passar a controlar pormenores como o local onde pastam as vacas que deram o leite que está a beber.