Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Fed vai aumentar taxa de juro. Mercados atentos a projeção de subidas em 2019

O banco central dos EUA deverá subir esta quarta-feira a taxa de juro para o intervalo 2-2,25%. Mercados querem saber até onde irá o “aperto” da política monetária no próximo ano num contexto de guerra comercial. Um dos impactos a monitorizar é o efeito nos mercados emergentes

Jorge Nascimento Rodrigues

O comité de política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) deverá subir esta quarta-feira a taxa de juro em 25 pontos-base (0,25 pontos percentuais) para o intervalo entre 2 e 2,25%. Segundo o mercado de futuros, é de 95% a probabilidade de uma decisão nesse sentido, apesar do agravar da escalada da guerra comercial.

A reunião de dois dias terminará esta quarta-feira com a divulgação em Washington pelas 19h (hora de Portugal) do comunicado de decisões e de um documento de projeções económicas trimestrais (conhecidas na gíria por dot plot) dos banqueiros centrais norte-americanos e com uma conferência de imprensa de Jerome Powell, o presidente da Fed, trinta minutos depois.

Os mercados asiáticos estão a negociar esta quarta-feira em terreno positivo e os futuros para os índices Dax de Frankfurt e S&P 500 em Nova Iorque estão no verde. Na terça-feira, o índice MSCI mundial fechou com um ganho ligeiro de 0,04% e as bolsas de Nova Iorque perderam 0,1%.

Três temas a seguir

Os mercados vão estar atentos a três sinais. O primeiro é se, no comunicado sobre a orientação da política monetária, a Fed vai deixar de fazer referência a que a sua estratégia continua a ser de “acomodação”, de estímulos. Ou seja, se na linguagem encerra, em definitivo, esse capítulo, dado que o movimento de subida da taxa de juro está em pleno e o emagrecimento do seu balanço também.

O segundo é até onde irá a subida da taxa nas projeções dos banqueiros centrais norte-americanos, nomeadamente em 2019. O mercado de futuros aposta em mais uma subida ainda este ano, na reunião de dezembro, e em duas adicionais em março e outubro do próximo ano. Se esse movimento se concretizar, a taxa atingirá 3% no limite superior no final de 2019. Os analistas vão avaliar se o sinal é que a estratégia de ‘aperto’ monetário vai ser travada a partir do momento em que o limiar dos 3% for atingido.

Finalmente, com a escalada da guerra comercial entre os EUA e a China, os analistas vão avaliar em que medida esse factor terá impacto negativo na própria economia norte-americana e condicionará o aperto da política monetária. As declarações de Powell na conferência de imprensa a esse respeito serão cruciais. Na assembleia geral das Nações Unidas, o presidente Donald Trump voltou reafirmar a sua estratégia geopolítica de rompimento com o multilateralismo e de rejeição do globalismo.

As decisões da Fed não se repercutem apenas no mercado norte-americano, nomeadamente nos juros da dívida de longo prazo (que, a 10 anos, já estão acima de 3%). O seu impacto nas economias emergentes é particularmente importante, designadamente no conjunto de países conhecidos pelo acrónimo BRATS (Brasil, Rússia, Argentina, Turquia e África do Sul) considerados mais vulneráveis. Em relação à China, a percepção dos analistas ouvidos pela Bloomberg esta quarta-feira é que o Banco Popular da China, o banco central, não deverá seguir o movimento de subida da Fed, mantendo a taxa diretora em 2,55%.

Quem decide a política monetária nos EUA

O comité que decide a política monetária da Fed é designado pela sigla em inglês FOMC (Federal Open Market Committee) e é formado pelos membros do Conselho de Governadores em Washington, pelo presidente do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque, e por quatro outros membros rotativos, presidentes do resto do sistema regional de 12 bancos da Reserva Federal. Ao todo, o FOMC funciona com 12 membros. Atualmente está a reunir com apenas oito membros, dado que o Conselho de Governadores está a funcionar apenas com quatro membros, faltando três cadeiras por preencher, que carecem de nomeação pelo Presidente Donald Trump e/ou aprovação final pelo Congresso.

A reunião seguinte será a 7 e 8 de novembro. Até final do ano, o comité reunirá ainda a 18 e 19 de dezembro, altura em que a probabilidade de voltar a subir a taxa de juro é de 79% no mercado de futuros.

  • Os índices Dow Jones e S&P 500 da bolsa de Nova Iorque registaram esta terça-feira perdas pela segunda e terceira sessões consecutivas respetivamente. Juros da dívida pública dos EUA a 10 anos em máximo de quatro meses. Escalada na guerra comercial de Trump e subida das taxas na reunião da Fed de quarta-feira agitam mercados