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Fed sobe juros e deixa de falar de política de estímulos

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal

SAUL LOEB/Getty

O banco central norte-americano anunciou esta quarta-feira um novo aumento da taxa diretora para 2-2,25% e deixou de referir na comunicação oficial a menção a que prossegue uma política de estímulos. Mas Jerome Powell, presidente da Reserva Federl, sublinhou que isso não implica qualquer alteração da estratégia gradualista

Jorge Nascimento Rodrigues

O banco central dos Estados Unidos anunciou esta quarta-feira mais uma subida da taxa diretora para o intervalo entre 2 e 2,25%, como era esperado pelos analistas e previsto pelo mercado de futuros das taxas de juro. A decisão foi tomada por unanimidade no Comité de Política Monetária (FOMC, no acrónimo em inglês) face aos bons números macroeconómicos apresentados nas previsões trimestrais que atualizaram as de junho.

A Reserva Federal (Fed) decidiu, também, mudar a linguagem da comunicação oficial eliminando a referência a que a política monetária é "acomodatícia", ou seja, de apoio à economia através de estímulos, no caso por via de taxas de juro do banco central ainda historicamente baixas.

Na conferência de imprensa que se seguiu à publicação do comunicado oficial, o presidente da instituição, Jerome Powell, sublinhou que o abandono da menção à "política acomodatícia"na linguagem do banco central não significa que a Fed vá abandonar a sua estratégia de subida gradual dos juros. Foi mesmo muito claro: "Não queremos sugerir que isso [a eliminação da referência na comunicação] seja importante no nosso pensamento".

Taxa prevista para o longo prazo muito abaixo da média histórica

Na realidade, sublinhou, a política continua a ser acomodatícia, pois os juros continuam em níveis historicamente baixos. A longo prazo, os banqueiros centrais nas projeções publicadas esta quarta-feira apontam para uma taxa diretora de 3%, depois de um pico em 3,4% em 2020 e 2021.

A média histórica desde 1971 está em 5,72%, com um pico de 20% em março de 1980 e um mínimo histórico de 0,25% em dezembro de 2008.

Esta taxa de curto prazo fixada pela Fed repercute-se nas taxas das hipotecas, do crédito ao consumo e nos cartões de crédito. E, internacionalmente, tem impacto no desempenho em particular das economias emergentes mais sensíveis à dívida externa em dólares. No entanto, Powell referiu que o foco da Fed é o contexto económico dos EUA, e que, em termos do impacto internacional, a política monetária norte-americana tem sido "transparente e move-se gradualmente". Considerou que o problema pode situar-se "num pequeno número de emergentes".

Revisão em alta das previsões de crescimento

As projeções económicas trimestrais divulgadas esta quarta-feira procederam a uma revisão em alta das taxas de crescimento para 2018 e 2019 face ao bom andamento da economia. A previsão para este ano é de 3,1% face a 2,8% na projeção de junho. E para o ano seguinte, subiu para 2,5% face a 2,4%.

Mantém, contudo, a trajetória de abrandamento, com as projeções a apontarem para 2% em 2020 e 1,8% em 2021. O que significa que, passado o sobreaquecimento conjuntural, os banqueiros centrais da Fed não acreditam que a intenção política da Casa Branca de que os cortes nos impostos, o aumento da despesa pública e do défice e a desregulação modifique "o caminho estrutural da economia" norte-americana, sublinha o analista Marc Chandler, autor do blogue "Marc to Market".

No desemprego, as projeções apontam para a manutenção de uma situação de pleno emprego nos próximos dois anos, com a taxa de desemprego em 3,5%.

Probabilidade de nova subida dos juros este ano

A divulgação das projeções dos banqueiros centrais do sistema da Fed - conhecidas no jargão por dot plot - apontam para que a taxa diretora feche em 2,4% no final de 2018 e em 3,1% em 2019.

O que é "lido" pelos mercados como tendo alta probabilidade mais uma subida na reunião de dezembro próximo e três subidas adicionais em 2019, ao ritmo de 25 pontos-base, que tem sido seguido.

Durante 2020 haverá, eventualmente, uma subida (pressupondo que o ritmo atual se mantém) até a taxa atingir 3,4%. No ano seguinte, as projeções não preveem subidas. O que pode ser interpretado como uma paragem na política de aperto monetário, já que, a longo prazo, os banqueiros centrais projetam uma taxa de 3%.

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