Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Google, Amazon, Facebook e Apple são "a grande ameaça" ao negócio bancário

Luís Barra

Enquanto as fintech constituem oportunidades para a banca, pelas parcerias que potenciam, já as big-tech como a Google, Amazon, Facebook e Apple colocam grandes ameaças ao negócio bancário, dizem os banqueiros, que reclamam regulação igual

A transformação tecnológica é um grande risco mas também uma grande oportunidade para o sector bancário. Mas, se concorrentes como as 'fin-tech' são bem-vindas porque permitem o estabelecimento de parcerias, outros operadores como a Google, Amazon, Facebook e Apple - as chamadas 'big-tech' - são uma ameaça ao negócio bancário. A mensagem foi transmitida esta terça-feira pelos banqueiros, que se distribuíram por duas conferências que tiveram lugar em Lisboa: uma organizada pelo Jornal de Negócios sobre o futuro da banca, outra pelo Banco de Portugal, sobre supervisão comportamental, onde reclamaram a necessidade de haver uma regulação igual para todos.

"A grande ameaça ao setor bancário surge não das 'startups' fintech - onde o caminho tem sido, acima de tudo, de cooperação - mas dos operadores das grandes plataformas digitais, os designados GAFA (Google, Amazon, Facebook, Apple), todos eles entidades não europeias", disse.

O responsável falava na abertura da conferência "Supervisão comportamental bancária -- Novos desafios dez anos depois da crise financeira", promovida pelo Banco de Portugal, que decorreu esta terça-feira em Lisboa.

"Estas entidades possuem muita informação sobre os clientes, o que lhes permite oferecer e produtos 'tailormade' [feitos à medida], de uma forma que, no limite, exclui os restantes operadores, incluindo os prestadores de serviços financeiros incumbente", avisou.

Faria de Oliveira abordou, por isso, a importância de todos os operadores obedecerem a um quadro legal e regulatório, designadamente em termos de proteção do consumidor.

"Os benefícios da digitalização só podem, pois, ser maximizados ao mesmo tempo que a estabilidade financeira e a integridade do sistema é mantida", disse.

Assim, para o presidente da APB, há novos e importantes desafios tanto para as instituições como legisladores, reguladores e supervisores, "nomeadamente os que derivam da transformação digital em curso e do crescimento do sistema financeiro não igualmente regulado", sendo exemplo disso o 'crowdfunding' ou a criptomoeda.

"A inovação tecnológica está a facilitar o aparecimento de novos atores no mercado de serviços financeiros e as instituições financeiras incumbentes, quer por via das novas necessidades dos clientes e das oportunidades que a tecnologia oferece, quer pela pressão concorrencial dos novos 'players' estão a mudar e a adaptar os seus modelos de negoóio", disse.

Estas mudanças contribuem, de acordo com Faria de Oliveira, para aumentar a eficiência do setor, mas, ao mesmo tempo, provocam uma alteração profunda da natureza dos riscos a que o sistema financeiro está sujeito. A rápida disseminação do fenómeno 'fintech' e dos novos riscos obriga, por isso, a mudanças no modelo de regulação.

"O setor bancário, ele próprio uma fintech, está na linha da frente dessa inovação, que acolhe com grande entusiasmo e interesse".

As ‘big-tech’ – tal como as ‘fin-tech’ - foram também tema de discussão na conferência a "Banca do Futuro", organizado pelo Negócios, com os banqueiros a insistirem na necessidade de se criarem condições regulatórias iguais para todos.

Para Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP, “as fintech são claramente uma fonte de oportunidades” para a banca, abrindo um grande espaço para parcerias “para acelerar áreas absolutamente criticas para nós para acelerar o serviço ao cliente e baixar o custo”.

Coisa diferente são as chamadas ‘big-tech’ (empresas de plataforma) “que têm condições de operação em mercado que nos colocam muitos desafios”. E aqui “a regulação está longe de estar bem tratada”, considera o gestor, numa posição que é subscrita por Pablo Forero, do BPI.

O banqueiro espanhol lembra que “enquanto as fintech precisam dos bancos para fazer parcerias, as big tech não precisam dos bancos” porque são muito maiores do que eles. Por isso, “se há regulação, e ela é diferente, podemos criar distorções”, advertiu.