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Estão a vender-se 474 casas por dia em Portugal desde o início do ano

Tiago Miranda

A receita da venda de habitação em Portugal, durante os primeiros seis meses do ano, atingiu os 11,6 mil milhões de euros, mais 30,5% que no mesmo período de 2017

No primeiro semestre de 2018 transacionaram-se 86.335 casas em Portugal, mais 19,8% do que no período homólogo - uma média de 474 casas vendidas por dia. As receitas atingiram os 11,6 mil milhões de euros, um crescimento de 30,5% face ao primeiro semestre de 2017.

Os dados, que acabam de ser divulgados pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), revelam que, cada vez se vendem mais casas usadas, “tendo os valores de venda de alojamentos existentes superado os 9 mil milhões de euros e registado um aumento de 33,4% face ao período homólogo”.

O presidente da APEMIP, Luís Lima, explica que este facto não é uma surpresa. “O mercado de usados é cada vez mais importante no sector, uma vez que nos últimos anos a construção nova foi muito escassa. A grande maioria do stock imobiliário existente é de usados, havendo necessidade de haver uma renovação do mesmo, sobretudo nas principais cidades como Lisboa ou Porto, que apresentam escassez de oferta face à procura existente”.

De acordo com a APEMIP, só no segundo trimestre de 2018, registaram-se 45.619 transações de alojamentos familiares, tendo sido o melhor desde que há registo, um aumento de 12% face ao trimestre anterior.

No documento divulgado esta terça-feira, a APEMIP nota ainda que, centrando a análise na evolução de preços, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o Índice de Preços da Habitação, no segundo trimestre de 2018, registou um aumento de 11.2% face ao mesmo período do ano anterior.

Lisboa na frente

Em termos de análise regional, a Área Metropolitana de Lisboa atingiu as 16.331 vendas, correspondendo a aproximadamente a 3 mil milhões de euros. A Área Metropolitana do Porto registou 7.801 transações. O valor das transações excedeu os 900 milhões de euros.

Apesar das dinâmicas do mercado imobiliário serem muito positivas, o representante das imobiliárias receia o impacto que as recentes notícias e propostas feitas no âmbito do sector, como a introdução de um novo escalão no AIMI (Adicional ao IMI), a chamada “Taxa Robles” ou a eventual extinção do Regime Fiscal para Residentes Não Habituais, possam ter no investimento estrangeiro em imobiliário português.

“Mesmo que acabem por não ser aprovadas, a repercussão mediática destas propostas causam receio a quem esteja a ponderar investir no imobiliário português. Muitas vezes acabam por preferir não arriscar, e dirigem o seu investimento para outros países por considerarem que não é seguro investir em Portugal, porque as regras podem mudar a meio do jogo”, diz o representante da APEMIP que, realça que ainda há muitas zonas do País a precisar deste investimento.

“Infelizmente, continuam a fazer-se propostas e a tomar decisões a olhar para o País só a partir de Lisboa, quando ainda há muitas regiões, sobretudo no interior, que podem e precisam de beneficiar deste tipo de investimento que aos poucos se está a descentralizar”, conclui Luís Lima.