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Banqueiros rejeitam bolha no imobiliário e riscos no crédito

Luís Barra

A subida dos preços no mercado imobiliário é uma correção normal e não a formação de uma bolha, consideram alguns dos principais banqueiros portugueses. Já o governador alerta para riscos de euforias

A subida dos preços no imobiliário é fruto de muitos anos de fraco investimento no setor e não o sintoma preocupante da formação de uma bolha. A opinião foi partilhada por um conjunto de banqueiros que o Jornal de Negócios reuniu esta terça-feira numa conferência em Lisboa para discutir o futuro da banca.

Para o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, depois de anos em que bancos retraíram crédito à promoção imobiliária (o BCP esteve mesmo impedido de dar esse crédito por Bruxelas enquanto beneficiou de dinheiro do Estado), o que está a haver é um ajustamento.

“Não vejo um grande problema. O que se passa é que mercado está mais quente", afirmou, numa posição secundada por António Ramalho. “Portugal até agora não teve uma bolha imobiliária porque tivemos quase 15 anos de desinvestimento de mercado imobiliário. Deixámos de construir e de licenciar”, lembrou o presidente executivo do Novo Banco. Por isso, a escalada de preços, “é uma situação gerível”.

Pablo Forero, pelo BPI, recordou que viveu a bolha imobiliária em Espanha para considerar que "em Portugal a situação é bastante razoável".

"Claro que há que evitar excessos, mas os bancos estão a fazer um trabalho sério e prudente", afirmou o presidente do banco detido pelo grupo espanhol Caixabank.

Também o presidente do BCP, Paulo Macedo, considerou que há que distinguir os valores do "imobiliário residencial em Lisboa e Porto e do imobiliário industrial, que tem preços ainda baixos".

A posição dos banqueiros contrasta com a do governador do Banco de Portugal, que, numa outra conferência organizada pelo regulador sobre a supervisão comportamental, alertou para situações de euforia que podem surgir no mercado imobiliário.

Crédito está controlado

Tranquilidade foi também a mensagem relativamente à concessão de crédito. Quando questionados sobre se a banca terá regressado às práticas agressivas do passado, os banqueiros presentes na conferência do Jornal de Negócios garantiram que não.

Miguel Maya (Millennium BCP) e Paulo Macedo (CGD) lembram que “os modelos de risco são distintos, a governação é hoje diferente do passado”, o que faz com que não perspetivem “um grau de incumprimento fora do normal”.

Paulo Macedo lembrou que, no passado, “o que correu mesmo mal foram as grandes exposições dos bancos, e essas hoje em dia são claramente menores”.