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China acusa Trump de bullying no comércio internacional

O Conselho de Estado em Pequim publicou esta segunda-feira um relatório acusando a Administração norte-americana de "unilateralismo, protecionismo e hegemonismo económico" usando práticas de bullying no comércio internacional. O documento sai no dia em que entra em vigor um segundo pacote de taxas aduaneiras aplicadas pelos dois lados. Mercados na Europa abrem no vermelho

Jorge Nascimento Rodrigues

A Administração Trump usa práticas de bullying no comércio internacional no quadro de uma estratégia de "unilateralismo, protecionismo e hegemonismo económico", acusa um White Paper publicado esta segunda-feira pelo Conselho de Estado em Pequim.

O documento, intitulado "Factos sobre a disputa comercial entre os EUA e a China e a posição da China", foi anunciado esta segunda-feira pela agência de notícias Xinhua no dia em que entra em vigor o segundo pacote de taxas aduaneiras por parte dos dois lados.

Em simultâneo, o China Daily, o diário do Partido Comunista da China, publicou uma página inteira de publicidade redigida em inglês no jornal de maior tiragem no Estado norte-americano do Iowa, o "Des Moines Register". O título é sugestivo: "Disputa: Fruto da loucura de um presidente". O Iowa é o maior produtor de soja nos EUA e um estado exportador de produtos agrícolas.

Pequim alega ter atuado com "um grande grau de paciência e boa fé" no sentido de resolver as disputas por via do diálogo, pretendendo usar os mecanismos bilaterais das últimas décadas - como a Comissão Conjunto sobre Comércio, o Diálogo Económico e Estratégico e o Diálogo Económico Alargado -, mas a Administração Trump optou por "uma escalada rapidamente num curto período de tempo".

Com a entrada em vigor deste segundo pacote de taxas alfandegárias, a China cancelou uma visita a Washington do vice-primeiro-ministro Liu He - encarregado dos assuntos económicos - e as negociações bilaterais estão suspensas. Esta semana decorre em Nova Iorque a assembleia geral anual das Nações Unidas, de onde estarão ausentes os presidentes da China e da Rússia.

As principais praças nos mercados na Ásia, que estão abertas, negoceiam esta segunda-feira em terreno negativo, com Hong Kong a cair 1,7% e Mumbai a recuar 1,4%. As duas bolsas chinesas de Xangai e Shenhzen e as praças de Seul, Tóquio e Taipé estão encerradas por serem feriados nos respetivos países. A Europa abriu no vermelho e os futuros em Wall Street estão, também, em terreno negativo. O índice PSI 20, na Bolsa de Lisboa, flutua em torno da linha de água.

A partir desta segunda-feira entraram em vigor taxas de 10% sobre 200 mil milhões de dólares (€170 mil milhões) de importações da China e a retaliação de Pequim implica taxas de 25% sobre 60 mil milhões de dólares (€51 mil milhões) de importações dos EUA. Os EUA subirão as taxas para 25% a partir de 1 de janeiro próximo e o presidente Trump ameaçou este sábado avançar com a terceira fase na guerra comercial aplicando taxas aduaneiras a todas as importações provenientes da China.

Com este segundo pacote, a Administração Trump já aplicou taxas sobre quase 50% do valor anual das importações da China; e Pequim retaliou com taxas sobre 85% das importações dos EUA, restando-lhe uma curta margem de manobra para mais medidas de resposta no plano das taxas aduaneiras.

  • Índice mundial regista segunda semana consecutiva de ganhos. América Latina e Zona Euro destacam-se nas subidas. PSI 20, em Lisboa, avança 1,2% durante a semana. Nasdaq e ‘estrelas’ tecnológicas norte-americanas em queda, mas Farfetch fundada por português estreia-se em Wall Street com ganhos de 42,25% na sessão inicial