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Ex-presidente da TAP arguido por suspeitas no negócio ruinoso no Brasil

TIAGO PETINGA

Fernando Pinto foi constituído arguido, bem como os demais administradores executivos à época, por causa do investimento da TAP no Brasil, onde a empresa afundou 500 milhões de euros. As suspeitas são de gestão danosa

O facto não é de agora mas só agora é revelado, pelo jornal "Público": Fernando Pinto foi constituído arguido por suspeitas de gestão danosa no processo de compra do negócio da manutenção do Brasil pela TAP. Um processo em que, como há menos de um mês revelou o seu sucessor em entrevista ao Expresso, acumulou perdas de 500 milhões de euros para a empresa portuguesa.

A Polícia Judiciária está a investigar a compra da VEM - Varig Engenharia e Manutenção, que foi negociada entre 2005 e 2007, a partir de uma queixa anónima recebida em 2010. Recorde-se que, em abril de 2016, houve buscas na TAP e já então se sabia que elas estavam relacionadas com a manutenção no Brasil. As operações foram realizadas no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público, em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). "Em causa estão suspeitas da prática dos crimes de administração danosa, participação económica em negócio, tráfico de influência, burla qualificada, corrupção e branqueamento", dizia então a PGR em comunicado. Segundo o Público deste domingo, não foram encontrados indícios de que os administradores tivessem lucrado com o negócio, pelo que a suspeita que resta é de gestão danosa.

Toda a antiga administração executiva da TAP foi constituída arguida: Fernando Pinto, Luís Ribeiro Vaz, Fernando Alves Sobral, Michael Connoly e Luiz Gama Mór, além de um outro responsável, entretanto falecido. Não há ainda acusação.

Segundo o próprio disse ao Público, por escrito, Fernando Pinto está constituído arguido há um ano e meio, aguardando "serenamente pelo desfecho do inquérito, com total confiança de que será tomada a justa decisão".

Há duas semanas, o novo presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, revelou em entrevista ao Expresso que decidiu fechar a operação da Manutenção em Porto Alegre, no Brasil, despedindo mil pessoas. E afirmou que, ao longo dos vários anos, a empresa afundou mais de 500 milhões de euros na VEM. "A sangria acabou", disse.

A TAP entrou no capital da VEM aliada à Geocapital, do grupo de Stanley Ho, e acabou por comprar a esta empresa a sua participação com um prémio de 20%. Em 2014, o "Diário Económico" noticiaria que a operação não teve o aval de Carlos Costa Pina, então secretário de Estado do Tesouro, que, dois anos mais tarde, acabaria por enviar o processo para a Inspeção Geral de Finanças.