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CEO criam rede para contratar seniores

A Experienced Management vai colocar gestores seniores a prestar serviços pontuais nas empresas

FOTO Getty Images

Gestores de topo nacionais fundam empresa para recrutar profissionais com mais de 50 anos

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Nas últimas décadas, milhares de profissionais acima dos 50 anos foram empurrados para situações de pré-reforma pelas empresas nacionais. Um reflexo de modelos de gestão que pareciam valorizar mais o ‘sangue novo’ e os custos inferiores dos profissionais juniores do que o conhecimento e a experiência acumulada pelos seniores. Muitos destes profissionais, apesar de altamente qualificados, não voltaram a regressar ao mercado, ou por opção ou porque durante muito tempo poucas empresas estavam disponíveis para contratar acima dos 50. Um cenário que está a mudar. Com o progressivo envelhecimento da população e a escassez de talento qualificado e experiente que já acusam muitas empresas, o mercado de trabalho deixou de se poder dar ao luxo de dispensar os profissionais mais seniores. Mas a sua integração nas empresas continua a não ser fácil.

Para eliminar as barreiras que o mercado ainda coloca a estes perfis e dar aos profissionais opções de carreira compatíveis com a gestão da sua vida pessoal, um grupo de 14 líderes de topo de empresas nacionais deu forma à Experienced Management, uma plataforma de recrutamento exclusivamente direcionada para profissionais acima dos 50 anos, altamente qualificados, com experiência comprovada em cargos de direção ou administração de empresas. O objetivo é “ajustar o paradigma atual do mercado de trabalho à realidade e necessidades atuais das organizações”, explica Manuel Lopes da Costa, CEO da BearingPoint Portugal e membro do conselho de administração da Experienced Management. A plataforma é lançada na próxima segunda-feira.

Nomes como António Casanova (CEO da Unilever), António Pires de Lima (CEO da Unicer), Arlindo Oliveira (presidente do Instituto Superior Técnico), Carlos Vasconcellos Cruz (fundador da Quantico), Emídio Pinheiro (ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos e do Banco de Fomento de Angola), Estela Barbot (administradora e membro da comissão de auditoria da REN), Fátima Barros (ex-presidente da ANACOM), João Vieira de Almeida (presidente executivo da sociedade de advogados VdA), Paulo Morgado (vice-presidente executivo da Capgemini ibéria), Rosário Pinto Correia (docente da Universidade Católica e vogal do conselho de administração da Pharol), Ricardo F. Reis (diretor para a área de Relações Internacionais da Universidade Católica) e Leonor Colaço (consultora da Oxford Leadership) deram forma ao projeto, integram a sua estrutura acionista e asseguram a triagem dos candidatos.

Temporários qualificados

À equipa junta-se também Martin Schneider, CEO da BrainForce, a empresa suíça que há 40 anos se dedica ao recrutamento de quadros temporários altamente qualificados e que detém a plataforma online que sustentará parte da atividade da empresa. O que a Experienced Management propõe é uma aproximação dos profissionais mais experientes às empresas, numa lógica de interim management (o equivalente a funções temporárias altamente especializadas e qualificadas). Ou seja, os profissionais que integrem a plataforma estão disponíveis para desenvolver projetos pontuais e com uma duração definida, dentro da sua área de especialização, junto de empresas clientes. “Não se trata de recrutamento para funções permanentes, mas sim de assegurar projetos pontuais que ajudem a suprir a necessidades das organizações em determinado momento”, explica Manuel Lopes da Costa.

Este foco na especialização ajuda a justificar o patamar mínimo de idade requerido para integrar esta rede de profissionais. “O limiar dos 50 anos surge porque percebemos que existia um número elevado de profissionais acima deste escalão etário que foram dispensados pelas empresas, com forte expertise, e que estariam disponíveis para trabalhar em regime de part-time ou por missões com duração entre três a seis meses”, explica, adiantando que não se excluem à partida profissionais com 45 anos, “mas tipicamente, nessa idade, os profissionais ainda esperam uma progressão de carreira até posições de liderança de topo e um vínculo contratual permanente”.

O que é mesmo determinante, além da competência técnica, é que estes profissionais tenham já exercido funções de liderança ao longo do seu percurso, seja em cargos de direção ou mesmo administração. A estrutura acionista do grupo terá um importante papel na atividade da empresa, não só na validação dos currículos e triagem dos profissionais que cumprem os requisitos para integrar a plataforma, mas também enquanto facilitadores da ligação destes profissionais às empresas. “Somos todos profissionais no ativo, com uma forte rede de contactos e capacidade para identificar oportunidades de colocação para estes candidatos”, garante.