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Bolsas ignoram escalada da guerra comercial de Trump

Índice mundial regista segunda semana consecutiva de ganhos. América Latina e Zona Euro destacam-se nas subidas. PSI 20, em Lisboa, avança 1,2% durante a semana. Nasdaq e ‘estrelas’ tecnológicas norte-americanas em queda, mas Farfetch fundada por português estreia-se em Wall Street com ganhos de 42,25% na sessão inicial

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas continuam a ignorar a escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. O índice mundial MSCI para todas as bolsas subiu 1,6% durante a semana. É a segunda semana consecutiva de ganhos. Na semana anterior, avançou 1,3%. No mercado das matérias-primas, o índice de preços da Reuters (CRB) subiu esta semana 1,8% e o preço do barril de petróleo fechou em 78,80 dólares, com um ganho de 0,8% durante a semana. Na sexta-feira chegou a dobrar a linha dos 80 dólares. No comércio internacional, o índice Baltic Dry subiu 2,2% durante a semana, depois de semanas negativas.

A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo avança mais um degrau na próxima segunda-feira com a Administração Trump a impor um segundo pacote de taxas aduaneiras de 10% em relação a importações chinesas num montante de 200 mil milhões de dólares (€170 mil milhões) e Pequim a responder com taxas de 25% sobre 60 mil milhões de dólares (€51 mil milhões) importações dos EUA. Trump já avisou que as taxas deste pacote subirão para 25% a 1 de janeiro próximo e ameaçou com um terceiro pacote que abranja as restantes importações Made in China. Na gaveta mantém taxas de 25% sobre as importações de automóveis que afectarão sobretudo o México e a União Europeia.

Os analistas falam do risco de uma guerra comercial prolongada e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico reviu em baixa esta semana as previsões para o crescimento mundial, da zona euro e de vários mercados emergentes importantes, tendo já em conta o impacto negativo desta vaga de protecionismo.

A expectativa vira-se, agora, para a assembleia geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bali em outubro e para as previsões e projecções que apresentará na actualização do World Economic Outlook.

Os investidores nos mercados ignoram esta “guerra fria económica”, como lhe chamou, esta semana, Jing Ulrich, vice-presidente para a Ásia Pacífico da J.P. Morgan Chase.

Mercados emergentes com bom desempenho

A América Latina e a Zona Euro são as duas ‘regiões’ com melhor desempenho esta semana nas bolsas, com os índices respectivos a avançarem semanalmente 4,6% e 3,3%. Embalado pela perspectiva de um ajustamento, em breve, do programa de resgate do FMI à Argentina, o índice Merval de Buenos Aires registou uma subida semanal de 13,75%. O índice iBovespa, de São Paulo, avançou 5,3% durante a semana.

Na Zona Euro, a liderança semanal coube ao índice MIB de Milão, que avançou 3,1%, confiante de que o ‘choque’ entre Roma e Bruxelas foi metido na gaveta a propósito das metas de défice para o orçamento para 2019. O objetivo inicial de subir o défice para 2% do PIB em 2019 parece estar colocado de parte e as projeções apontam, agora, para 1,7%, similar ao défice com que Roma deverá fechar o ano de 2018, mesmo assim muito acima de 0,9% previsto pelo FMI.

Os mercados emergentes registaram esta semana ganhos de 2,2%. Buenos Aires e São Paulo destacaram-se, mas é de registar também o bom desempenho dos índices das bolsas chinesas: 4% de avanço em Xangai e 3,6% em Shenzhen. O grupo dos mercados emergentes de risco, conhecido pelo acrónimo BRATS (para Brasil, Rússia, Argentina, Turquia e África do Sul), registou ganhos esta semana. Além do iBovespa brasileiro e do Merval argentino, referidos acima, o índice RTSI de Moscovo subiu 5%, o BIST 100 de Istambul avançou 3,4% e o índice geral em Joanesburgo ganhou 1,3%.

Nasdaq cai, mas Farfetch de José Neves ganha mais de 42%

A praça de Nova Iorque, com as duas bolsas mais importantes do mundo, o New York Stock Exchange (NYSE) e o Nasdaq, registou uma subida semanal modesta, de 0,75%, com o Nasdaq a cair 0,29%. Os índices Dow Jones 30 (DJ 30) e S&P 500 registaram máximos históricos durante a sessão de sexta-feira, atingindo 26.769,16 e 2940,91 pontos respetivamente. O DJ 30 fechou em alta, registando quatro sessões consecutivas de subida, mas o S&P 500 fechou em baixa.

A semana não correu pelo melhor para as ‘estrelas’ do digital, com o índice FANG Plus (que inclui as 10 cotadas mais célebres da atual 'nova economia': Facebook, Apple, Amazon, Netflix, Google, Alibaba, Baidu, Nvidia, Tesla e Twitter) a recuar 1,3%.

A contrastar, o ganho da Farfetch logo na primeira sessão inicial no NYSE, na sexta-feira, com a cotação a fechar em 28,45 dólares, representando uma subida diária de 42,25%. A empresa, sedeada em Londres, fundada pelo português José Neves realizou uma oferta pública inicial em que encaixou 885 milhões de dólares (€754 milhões).

Crise cambial nos emergentes recuou

O grupo dos BRATS tem estado em foco, também, em virtude da queda das suas moedas, mas esta semana o peso argentino, o real brasileiro, o rublo russo e o rand sul-africano valorizaram face ao euro. No caso do peso, depois de um afundamento da moeda para mais de 46 pesos por euro, fechou a semana em 44,93 pesos.

A exceção no grupo dos BRATS foi a lira turca que se desvalorizou 3,4% face ao euro, apesar da subida recente da taxa directora para 24% pelo Banco Central da República Turca. No entanto, o Novo Plano Económico para 2019-2022 apresentado pelo governo esta semana não convenceu.