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Arquitetos criam ‘microcasa’ para combater falta de habitação na Austrália

As casas têm um piso e 32,5 metros quadrados, mas onde cabem um quarto com uma cama de casal de grandes dimensões (queen size), uma cozinha, uma casa de banho e uma sala

As vendas revertem para organização que apoia jovens sem-abrigo

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O mercado de habitação na Austrália está a viver uma situação mais ou menos semelhante à de Portugal: não há oferta que chegue para a procura e para o aumento rápido da população (o tempo médio de venda de uma casa nova é pouco mais de um mês) e não há casas a preços acessíveis, principalmente para os jovens.

De acordo com dados da empresa de estatísticas CoreLogic e do Gabinete de Estatísticas da Austrália (o equivalente ao Instituto Nacional de Estatística em Portugal), os preços estiveram a subir até setembro do ano passado e em algumas das capitais os aumentos chegaram a ser superiores a 10% de forma continuada, de tal forma que a mediana do preço final ronda os 700 mil dólares australianos (€430 mil).

Perante este cenário, e mesmo depois de em julho os preços terem registado a maior queda desde setembro de 2011 — ainda que tenha sido de apenas 0,6% —, vários agentes do mercado , citados pelos jornais locais, têm um discurso que não é muito diferente do que existe cá. Uma grande parte deles fala de “crise na habitação” e que “é urgente conter os preços e construir mais oferta”.

Foi nesse contexto que o ateliê de arquitetura Grimshaw criou o The Peak, uma ‘microcasa’ prefabricada com preços que vão dos 110 mil até aos 150 mil dólares australianos (mais ou menos entre 62 e 92 mil euros).

Tem um piso e 32,5 metros quadrados, mas onde cabem um quarto com uma cama de casal de grandes dimensões (queen size), uma cozinha, uma casa de banho e uma sala. E podem ser usadas como moradia ou combinadas como se fossem um edifício (não em altura) ou um aglomerado de minicasas. Além disso, podem ser rapidamente construídas porque são feitas de madeira laminada e de módulos que se agregam entre si e têm um chão elevado para ganhar espaço para as instalações elétricas e canalizações. Podem mesmo ter canalização própria para a casa de banho em vez de ser ligada à rede geral de esgotos da cidade, um pouco à semelhança de uma auto caravana.

Além disso, “os acabamentos interiores são em madeira, para proporcionar conforto, tem áreas generosas de arrumação e grandes painéis de vidro para dar a sensação de espaço e permitir uma abundante entrada de luz natural”, pode ler-se no comunicado de imprensa divulgado pelo ateliê de arquitetura. Além disso, o telhado está preparado para receber painéis solares.

“O nosso desenho para o The Peak tem como objetivo providenciar uma microcasa de alta qualidade que é acessível e sustentável mas com todas as comunidades de uma casa moderna”, diz em comunicado de empresa um dos associados do ateliê, Matthew Hutton.

A casa está a ser vendida por uma empresa chamada Nestd, o departamento de negócios da Kids Under Cover, uma organização não-governamental que tem como objetivo ajudar os sem-abrigo de idade mais jovem. Ou seja, todo o dinheiro que for feito com as vendas reverte a favor desta associação.