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O que pede um secretário de Estado em Paris? “Deixem-me ser um bocado presunçoso”

À esquerda na foto, Nelson de Souza, secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, visitou a Premiere Vision, em Paris

D.R.

Nelson de Souza justifica o pedido com o desempenho da indústria têxtil e do vestuário e apresenta números: o investimento do sector no âmbito do programa Portugal 2020 soma 640 milhões de euros até julho

“Deixem-me ser um bocado presunçoso.” O pedido é de Nelson de Souza, secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, depois de visitar, em Paris, os stands das empresas portuguesas presentes na Premiere Vision (PV) e confirmar que o Made in Portugal alinha “na primeira divisão mundial” da indústria têxtil e do vestuário.

E há investimentos a apoiar a afirmação da fileira à escala global. No âmbito do Portugal 2020, o sector soma 935 projetos aprovados, no valor de 640 milhões de euros até julho último. “É um crescimento de 61% comparativamente aos 400 milhões de euros relativos a todo o período do QREN (2007-2013), que combina internacionalização (25%) e modernização industrial (75%)”, sublinha Nelson de Souza.

Do que viu e ouviu em Paris, onde Portugal foi convidado pela organização da PV a ser o Focus Country do certame e a evidenciar as competências nacionais na área da subcontratação, Nelson de Souza leva “algumas recomendações” para o próximo Orçamento do Estado, designadamente na área dos custos de contexto e da energia elétrica, mas também “palavras de confiança e otimismo” dos empresários do sector.

“Vemos um conjunto de empresas que se posiciona no segmento médio alto e está na primeira divisão mundial da indústria têxtil e do vestuário”, elogia Nelson de Souza, sem esquecer o caminho percorrido desde os anos da crise do Vale do Ave, em que muitos diziam que a fileira estava condenada a desaparecer.

Um dos sinais de vitalidade do sector e a presença de alguns estreantes como a Etexba entre as 65 empresas que representam a indústria têxtil e do vestuário nacional no certame parisiense.

Esta estamparia de Barcelos, com uma tinturaria com 65 trabalhadores, um volume de negócios de 4 milhões de euros e uma aposta crescente na área da estamparia digital, exporta 15% da produção, mas quer procurar “ativamente novos clientes e mercados”. O objetivo é “conquistar marcas internacionais como clientes” e tornar-se uma referência do sector, explica o administrador Luis Marques, que está a começar este caminho em Paris, com a equipa comercial e um dos seus três designers ao lado porque “a grande aposta passa, agora, por desenvolvermos e criarmos novos produtos”, explica.

Qualidade, serviço e resposta rápida, com cumprimento dos prazos, são, aqui, “fatores chave”, tal como na Otojal, uma estamparia de Guimarães onde não há limites mínimos para aceitar encomendas e, para abrir novos mercados, criou um catálogo de 500 páginas com toda a sua coleção.

Contas feitas, o sector exportou um valor recorde de 5,237 mil milhões de euros no ano passado, chegando a 194 mercados. A cair em Espanha, o seu maior mercado, mas a compensar esta quebra com subidas noutros destinos, como Itália, a fileira ainda não arrisca falar em novo recorde para este ano, depois de fechar os primeiros oito meses de 2018 com um crescimento de 2% na frente externa, para os 3,2 mil milhões dos euros, 1,9 milhões dos quais concentrados no vestuário.

Mas fala em diversificação de mercados. As exportações até julho cresceram 8% para destinos extracomunitários, combinando subidas como os 79% na China ou os 5% dos EUA.

“Este é um sector muito resiliente”, sublinha o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Dias Brilhante, que também esteve em Paris a apoiar a indústria têxtil e do vestuário lusa e a abrir uma conferência que apresentou Portugal como “parceiro de negócios de confiança”. Aliás, a fileira da moda no seu conjunto, juntando têxtil, vestuário, calçado e joalharia, viu o seu volume de exportações crescer mais de mil milhões de euros em cinco anos, para passar a fasquia dos 7 mil milhões de euros.

E Braz Costa, diretor-geral do CITEVE – Centro Tecnológico da Indústria Têxtil e do Vestuário, deu outro indicador da dinâmica da industria têxtil e do vestuário: “Desde 2009, a faturação por trabalhador aumentou 50%”, disse.