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Montepio. Manifesto contra Tomás Correia junta opositores a antigos aliados

ASSEMBLEIA GERAL A eleição dos novos órgãos sociais da Caixa Económica Montepio Geral, agendada para amanhã, tem estado envolta em polémica

FOTO LUÍS BARRA

Um grupo de associados da Associação Mutualista Montepio assina um manifesto em que afirma que a instituição “enfrenta uma crise de reputação fatal para a sua ação”, destacando a falta de transparência das decisões”. Apoio à pré-anunciada candidatura de Fernando Ribeiro Mendes à presidência está nas entrelinhas

As eleições para a Associação Mutualista Montepio (AMM) ocorrem apenas em dezembro, com o prazo para a apresentação de candidaturas a decorrer até final de outubro. Mas a temperatura já está a subir, no que promete ser um Outono quente na vida da instituição. Depois de Fernando Ribeiro Mendes, administrador da AMM, ter anunciado, em entrevista ao Expresso, estar disponível para se candidatar à presidência, ocupada há vários anos por Tomás Correia, um grupo de dezenas de associados mobilizou-se num manifesto que será divulgado na próxima semana.

Os subscritores, entre os quais estão José Almeida Serra (antigo administrador do Montepio), Mário Valadas, Norberto Pilar (ex-presidente do conselho de administração da TAP), João Costa Pinto (ex-administrador do Banco de Portugal), Menezes Rodrigues (antigo membro do Conselho Geral e de Supervisão da Caixa Económica Montepio Geral), Rui Leão Martinho (bastonário da Ordem dos Economistas), João Proença (ex-secretário-geral da UGT), ou Manuel de Almeida Damásio (reitor da Universidade Lusófona), são muito críticos da atual liderança. E juntam nomes tanto de opositores de Tomás Correia, como de antigos aliados.

O Montepio “enfrenta uma crise de reputação fatal para a sua ação e, principalmente, para sua capacidade de desenvolvimento. A confiança no Montepio, entre os seus Associados e no público em geral, encontra-se profundamente abalada por suspeições de falta de competência e de idoneidade de alguns gestores que decorrem, inevitavelmente, do modo de funcionamento do seu sistema de governo. A falta de transparência das decisões e a insuficiente ponderação de alternativas de ação sustentam essas suspeições”, lê-se no documento a que o Expresso teve acesso.

Perante este cenário, os subscritores propõem-se submeter às eleições para os órgãos associativos “listas de candidaturas constituídas por pessoas com perfil adequado à prossecução daqueles objetivos e nas quais deverão estar presentes elementos dos atuais órgãos sociais que oportuna e responsavelmente alertaram para as consequências negativas das decisões e modo de funcionamento desses órgãos”.

O nome de Fernando Ribeiro Mendes, administrador da AMM, que em entrevista ao Expresso já manifestou a sua disponibilidade para avançar com uma candidatura, nunca é referido. Mas o perfil encaixa como uma luva no seu nome. Até porque tem vindo a manifestar críticas à atual liderança e à forma como tem conduzido os destinos da instituição.

Ouvido pelo Expresso, Fernando Ribeiro Mendes diz “reconhecer-se no manifesto. As preocupações que manifesta vão ao encontro das minhas e que me levaram a manifestar a disponibilidade para me candidatar à presidência”. E continua: “Identifico-me muito com a necessidade de uma equipa de pessoas competentes, idóneas e acima de qualquer suspeição das entidades oficiais, tanto o Ministério Público, como os supervisores. Pessoas com um perfil que dê grande segurança à tutela e aos reguladores e recupere a confiança dos associados”.

Um perfil “onde não cabe Tomás Correia. Há uma situação de suspeição que desaconselha” que tenha qualquer posição na AMM, argumenta Fernando Ribeiro Mendes.

Também no manifesto fecha a porta a Tomás Correia: “No perfil dos candidatos inclui-se não só a competência para o desempenho de cada particular função, como a completa ausência de suspeições de idoneidade que decorram de processos judiciais em curso ou de comportamentos de ética duvidosa: a recuperação da confiança no Montepio não se compadece com situações de indefinição, decorrentes da morosidade daqueles processos ou outras”, destaca o documento.

Fernando Ribeiro Mendes diz que, do lado de Tomás Correia, “há um esgotamento de propostas para o futuro”. “A principal ideia foi o grande grupo financeiro da economia social. Mas há um grande desinteresse das grandes instituições financeiras da economia social, caso das Caixas de Crédito Agrícola, nesse projeto”. E outras instituições “estão muito renitentes. Sinal disso, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entrou apenas com 75 mil euros, o que considero um óbulo de tão diminuto”. Tudo somado, “o número total apresentado, de 90 mil euros, quando se chegou a falar em dezenas de milhões de euros, está a tornar-se numa manifestação de desconfiança das instituições da economia social no grupo Montepio, que só poderá ser recuperada com outra liderança”.

“Fico muito satisfeito por ver que entre os subscritores do manifesto há pessoas que deram um grande contributo ao Montepio e que estiveram em listas diversas. Umas estiveram em listas do Dr. Tomás Correia, como eu, como, por exemplo, o Dr. Almeida Serra ou o Dr. Menezes Rodrigues, outras estiveram em listas de oposição, como o engenheiro João Proença. E que agora afirma a vontade de se unir para a renovação da confiança”, diz Fernando Ribeiro Mendes. E remata: “Estou confiante de que até final de outubro tenho condições de apresentar uma excelente lista, com pessoas com um perfil como os subscritores deste manifesto desejam”.