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Centeno garante que não cederá a eleitoralismos e canta vitória sobre os bons resultados

reuters

O Ministro das Finanças garante que não cederá a eleitoralismos no Orçamento do Estado para 2019 e que dará continuidade à reforma do IRS. Sobre os números divulgados esta sexta-feira pelo INE, diz que eles destroem três argumentos que vêm sendo usados pelos seus críticos

No dia em que o Instituto Nacional de Estatística (INE) trouxe mais uma fornada de boas notícias, revendo em alta o crescimento de 2017, Mário Centeno convocou os jornalistas para sublinhar os números positivos, mandar alguns recados aos críticos e à geringonça e para garantir que não cederá a eleitoralismos no próximo Orçamento do Estado.

Mário Centeno garante que a proposta que será apresentada daqui a três semanas será “responsável”. O IRS continuará a descer, mas apenas fruto daquilo que já estava previsto (a revisão das taxas e tabelas terá ainda um efeito diferido no próximo ano), haverá uma nova fase de atualização das prestações sociais de inclusão e será completado o processo de integração dos trabalhadores precários no Estado. Os eventuais aumentos à Função Pública são assunto tabu, até porque estão a decorrer negociações, mas fica a garantia de que a proposta será feita com o mesmo “sentido de responsabilidade que nos foi guiando ao longo destes anos".

E sobre os últimos anos, Mário Centeno tem vários trunfos, reforçados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Em 2017 a economia avançou 2,8% (ligeiramente acima dos 2,7% que estavam apontados), fruto de um impulso maior do investimento público e privado, o que conduziu a uma revisão em baixa da dívida pública (dos 125,7% para os 124,8% do PIB). E também o crescimento em 2016 foi revisto em alta, para 1,9%. Além disso, segundo o INE, o défice das contas públicas no primeiro semestre ficou em 1,9% do PIB.

Na declaração aos jornalistas, o ministro das Finanças cantou vitória, dizendo que "as informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística são boas notícias e revelam uma melhoria das condições económicas e financeiras em Portugal".

Argumentos dos críticos "ficam extraordinariamente mais frágeis"

Mais ainda, Mário Centeno frisou que “há três ideias que foram sendo construídas nos últimos anos que hoje ficam extraordinariamente mais frágeis”, após a divulgação destes dados.

E que ideias são essas? “A primeira é que houve uma desaceleração do PIB em 2016. Não houve. Os dados hoje confirmam que o PIB cresceu mais em 2016 do que em 2015”.

A segunda “é de que as cativações impedem o crescimento do investimento público. Não é verdade”, enfatizou Mário Centeno, apontando que “o investimento público cresceu próximo dos 25% em 2017”. E constatou que “o valor do investimento público em 2017 é superior aos objetivos que tínhamos traçado para esse mesmo investimento no Programa de Estabilidade em 2017”, lembrando que o INE reviu em alta o investimento público no ano passado em 170 milhões de euros. Evolução que, segundo o ministro das Finanças, assinala “o caminho que o Governo tem vindo a sublinhar da importância do investimento público para a economia portuguesa”.

Uma terceira ideia, segundo Centeno, é de que “o défice em 2017 foi conseguido à custa de menor investimento público, de contenção do investimento público. Estes dados comprovam que essa ideia não corresponde à verdade”, destacou.

Sem referir a oposição parlamentar, a mensagem para PSD e CDS/PP é clara. Mas, também, para dentro da ‘geringonça’. Afinal, BE e PCP têm sido muito críticos da política de cativações do Ministério das Finanças, defendendo um maior reforço do investimento público.

Mário Centeno falou ainda sobre 2018, salientando que “os números divulgados para o primeiro semestre do ano confirmam que, mais uma vez, e pelo terceiro ano consecutivo, os objetivos orçamentais vão ser cumpridos”.

A meta traçada pelo Governo no programa de estabilidade 2018-2022 é um défice de 0,7%. Número que reviu em baixa os 1,1% previstos no Orçamento do Estado para 2018. E o número final pode ser, tudo o indica, ainda inferior. Como o Expresso já noticiou, os números disponíveis sinalizam que o défice poderá ficar próximo de zero.