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Têxteis. A hora de marcar a diferença

Lucília Monteiro

A Première Vision convidou Portugal para ser o seu “Focus Country”. A indústria têxtil e do vestuário lusa quer aproveitar esta montra muito especial, em Paris, para mostrar o que vale. O lema das empresas presentes é “destacar-se pela diferença”

Quando falamos em indústria têxtil e do vestuário Portugal é uma referência mundial e esta semana, em Paris, o sector quer mostrar ao mundo que o Made in Portugal está pronto a "destacar-se da concorrência pela diferença". “Se uma marca internacional quer o impossível ou um produto novo, sabe que pode faze-lo cá. Somos uma referência na capacidade de fazer bem e encontrar soluções e é isso que queremos destacar em Paris”, diz Manuel Teixeira, presidente do CENIT – Centro de Inteligência Têxtil.

A oportunidade chegou através do convite direto da Première Vision, uma das maiores feiras mundiais do sector, à AICEP para Portugal ser o “Focus Country” na área de confeção, dedicada à subcontratação. E o sector aproveitou de imediato o desafio para mostrar o que vale e apresentar o país como “parceiro de negócios de confiança”, numa organização conjunta do CENIT e da Selectiva Moda.

“Temos uma oferta mais cara do que outros concorrentes, mas é uma oferta diferenciada, com qualidade, serviço, design, moda, fiabilidade, prazos de entrega curtos. Colocamos a fasquia bem alta em áreas como a sustentabilidade, a economia circular, a inovação ou a tecnologia”, refere o presidente do CENIT sem esconder o orgulho no desempenho do sector.

Em Paris, ser o país em foco da Première Vision, por onde passarão 55 mil visitantes de todo o mundo entre hoje e sexta-feira, significa conferências, cocktail e, também, uma área de exposição de 100 metros quadrados, no coração do certame, que cruza empresas lusas especializadas na subcontratação com outras onde a produção para terceiros convive com a marca própria ao lado de um núcelo de exposição dedicado a mostrar criações de designers nacionais com tecidos e malhas made in Portugal, como é o caso dos trabalhos de Matos Ribeiro com a A. Sampaio & Filhos, de Inês Torcato com a LMA, de Luís Carvalho com a Penteadora, de Nuno Baltazar com a Riopele, da dupla Alves/Gonçalves com a Somelos Tecidos e de Maria Gamina com a Tintex.

Mas além desta iniciativa, Portugal está representado na Première Vision com stands de 65 empresas, tem duas nomeações para os PV Awards, através da Tintex e da Paulo de Oliveira, e verá juntar-se a esta comitiva empresarial os secretários de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza.

Menos Espanha, mais Itália

O destaque dado a Portugal na Première Vision coincide com um período de ajustamento nos principais mercados da indústria têxtil e do vestuário nacional, muito por força da quebra das encomendas do grupo Inditex que levou a uma descida de 5% nas exportações para Espanha entre janeiro e julho, para os 1,018 mil milhões de euros.

Apesar desta quebra, iniciada já no ano passado, o mercado espanhol continua a ser o maior cliente de Portugal, com uma quota de 31% nas vendas ao exterior, seguido de França (13%), que cresceu 3% nos primeiros sete meses do ano, para 420 milhões de euros.

Itália, no top 5 dos clientes nacionais, foi o destino que mais cresceu em termos absolutos, dando um salto de 33% ou 48,7 milhões de euros, para atingir os 194 milhões de euros e uma quota de 6% no prato das exportações.

Considerando apenas o vestuário, que contribui com 1,9 mil milhões de euros para as exportações da fileira, o crescimento foi de 1%, com Espanha a cair 5,6% e Itália a aumentar 50,7%.

Na análise destes números, Manuel Teixeira salienta que a quebra em Espanha, especialmente sentida por ser o principal mercado do sector, acaba por ser compensada por crescimentos em todos os outros mercados à exceção do Reino Unido (-8,9%), “já a refletir o impacto do Brexit”.

“Podemos dizer que as empress estão mais ativas do que nunca e estão a trabalhar bem na diversificação dos seus mercados e abrir novas portas”, comenta.

Na sua opinião, no modelo de negócio atual, assente em pequenas séries e prazos de entrega curtos, Portugal entra em campo nas reposições e quando as vendas correm menos bem às marcas internacionais devido a fatores vários, da meteorologia à pressão do comércio eletrónico “Portugal é o país que mais sente”. “Mas o sector está bem posicionado para responder às novas tendências de consumo e a prazos de entrega ainda mais curtos e as empresas estão a atrair novas marcas para a sua carteira de clientes”, acrescenta.

O saldo da balança comercial dos têxteis e vestuário soma 754 milhões de euros e apresenta uma taxa de cobertura de 130%.