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Sonae coloca retalho alimentar em bolsa até ao fim do ano

Grupo quer pôr à negociação 25% do capital da Sonae MC, dona do Continente

A Sonae SGPS anunciou esta quarta-feira que decidiu avançar com o lançamento da oferta pública inicial e admissão à negociação (IPO) da sua unidade de retalho alimentar no último trimestre do ano.

A operação prevê um free float mínimo de 25% revela a empresa em comunicado enviado para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A expectativa da Sonae é ver a sua empresa cotada em bolsa ainda este ano.

“O IPO da Sonae MC é mais um passo que demonstra a capacidade do grupo para criar valor para os acionistas e conceder às sociedades do seu portefólio a independência necessária para continuar a cumprir as suas ambições de crescimento”, explica Ângelo Paupério, co-presidente executivo da Sonae SGPS, com Paulo Azevedo.

Para o gestor, esta será “uma oportunidade única para os investidores num mercado de retalho alimentar em crescimento, e, especialmente, no líder do sector em Portugal”.

Na mesma linha, Luís Moutinho, presidente executivo da Sonae MC, refere em comunicado que "o objetivo é continuar a seguir uma estratégia centrada no consumidor para sustentar um papel de crescimento e perfil de rentabilidade acima do mercado num período de forte expansão da rede de lojas, o qual nos vai permitir estar ainda mais próximos de todos os portugueses”. “Acreditamos que o IPO marca o início de uma nova e importante etapa na nossa história da Sonae MC”, acrescenta.

Sonae continua a ser acionista de referência

Com a concretização da operação, que ainda tem de receber a aprovação das autoridades, a Sonae mantém-se como acionista de referência da Sonae MC.

A Sonae SGPS acredita que esta operação vai trazer "maior visibilidade à valorização da Sonae MC" e potencialmente reduzir o "desconto de holding do grupo". "Adicionalmente, é expectável que o IPO melhore a proposta de valor da Sonae MC através de um aumento do nível de autonomia, uma estrutura de capital independente e um governo societário e política de dividendos em linha com as melhores práticas do mercado, sustentando a estratégia e o plano de crescimento da sociedade”, refere a empresa.

O Barclays, o BNP Paribas e o Deutsche Bank actuam como 'joint global coordinators' para o IPO e 'joint bookrunners' para a oferta institucional juntamente com o Banco Santander, o CaixaBank BPI e o CaixaBI. O Haitong Bank, a JB Capital Markets e o Mediobanca atuam como 'co-lead managers'.

Apresentando-se como líder no retalho alimentar em Portugal, com um quota de mercado de 21,9%, a Sonae MC tem uma rede de 567 lojas de retalho alimentar e 487 lojas de formatos adjacentes no país. Ou, de outra forma, soma 1054 lojas multiformato, 710 das quais são próprias e 344 franquiadas. A empresa desenvolveu um programa de fidelização que soma 3,7 milhões de utilizadores ativos.

Em 2017, a empresa apresentou um volume de negócios de 4,055 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 5,6% face a 2015, com margens de EBITDA ajustado de 7,4%.

No primeiro semestre do ano, o crescimento no negócio foi de 6,4%, ou 2,8% considerando a mesma base comparável de lojas.

A Sonae anunciou a intenção de estudar a colocação em bolsa o seu portefólio de retalho, que inclui a Sonae MC e a Sonae RP (dedicada à propriedade imobiliária de retalho) em março, na apresentação de contas anual do grupo.

Na estimativa do Haitong, está em causa um património de 1,8 mil milhões de euros.

Crescer com “estrutura financeira sólida”

Referindo-se à estratégia de de crescimento, a Sonae informa, em comunicado, que a MC deverá abrir, este ano, 18 lojas Continente Bom Dia e quatro lojas Continente Modelo. Até ao final do ano de 2018, a sociedade “incorrerá num total de 215 milhões de euros em gastos de capital, incluindo 115 milhões de euros para investimentos de manutenção e optimização, e 100 milhões de euros para expansão da rede de lojas."

Nos próximos três anos, a empresa espera inaugurar 50 a 60 lojas Continente Bom Dia e entre quatro a oito lojas Continente Modelo, além de "cerca de 150 lojas de formatos adjacentes".

O perfil financeiro será “suportado por uma estrutura conservadora de capital”, adianta a empresa, apontando para um rácio máximo de dívida líquida de final do ano sobre EBITDA ajustado de 2,0X. E, a gestão, quer manter a propriedade de pelo menos 40% dos seus ativos imobiliários, de forma a garantir “uma maior flexibilidade nas decisões relacionadas com a rede de lojas”.

"Adicionalmente, a Sonae MC antecipa gastar 115 milhões de euros por ano em investimento de manutenção e optimização e um montante cumulativo entre 2019 e 2021 de 260-280 milhões de euros em investimento para expansão".

A Sonae MC prevê ainda gerar receitas brutas, "operações de sale & leaseback" na ordem dos 60-80 milhões de euros nos próximos dois anos.

O grupo Sonae tem duas empresas no índice PSI20, a Sonae SGPS e a Sonae Capital. Em bolsa, está também cotada a Sonae Indústria.