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Trump anuncia taxas sobre mais 200 mil milhões de importações da China

Os Estados Unidos aplicam a partir de 24 de setembro uma taxa de 10% sobre uma nova lista de importações da China no valor de 200 mil milhões de dólares (€170 mil milhões), anunciou esta segunda-feira à noite o presidente norte-americano. A partir de janeiro, a taxa sobe para 25%. Trump ameaçou com uma terceira fase que abarque todas as importações da China

Jorge Nascimento Rodrigues

A escalada na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China subiu mais um degrau com o anúncio esta segunda-feira à noite (madrugada de terça-feira na Europa) pelo presidente Trump de um segundo pacote de taxas aduaneiras a aplicar sobre 200 mil milhões de dólares (€170 mil milhões) de importações provenientes da China.

A medida protecionista entra em vigor a 24 de setembro, e tem dois momentos. A partir de segunda-feira é aplicada uma taxa de 10% que subirá, a partir de 1 de janeiro de 2019, para 25%.

Na sequência do anúncio da medida, Pequim cancelou a sua participação em uma nova ronda de negociações para a qual tinha sido convidada pelo secretário do Tesouro norte-americano Steven Mnuchin na semana passada.

Esta segunda vaga protecionista contra a China segue-se a um primeiro pacote de taxas de 25% sobre importações no valor de 50 mil milhões de dólares (€43 mil milhões) aplicado em julho e agosto, a que Pequim respondeu com taxas alfandegárias sobre o mesmo valor de importações provenientes dos EUA.

Espera-se que a China anuncie uma retaliação em resposta a este segundo pacote.

Trump ameaçou, entretanto, que poderá avançar "com uma terceira fase" de imposição de taxas sobre todas as importações provenientes da China que, no ano passado, somaram um valor ligeiramente acima de 500 mil milhões de dólares (€427 mil milhões).

Os dois pacotes de taxas - o aplicado em julho e agosto e o que entrará em vigor a partir da próxima semana - poderão provocar um impacto negativo de 0,4% do PIB na China e de 0,8% do produto norte-americano, segundo os cálculos do consultor Dan Steinbock, fundador do Difference Group e investigador no Centro da União Europeia em Singapura.

Irá o FMI rever em baixa a previsão de crescimento mundial?

A escalada na guerra comercial é um dos principais riscos que ameaçam acentuar o abrandamento no comércio internacional e criar um travão na recuperação económica em curso. Um dos termómetros da 'saúde' do comércio mundial é dado pelo índice Baltic Dry, que já caiu 13,5% desde o início de setembro, registando uma quebra de 20,7% nos últimos trinta dias.

A expetativa centra-se na avaliação que o Fundo Monetário Internacional (FMI) possa vir a fazer do impacto desta escalada no andamento da economia mundial. O FMI realiza a sua assembleia geral a 13 e 14 de outubro, onde irá divulgar as novas previsões económicas quando publicar a atualização do World Economic Outlook.

Na atualização intercalar publicada em julho, os técnicos do Fundo mantiveram as previsões anteriores de um crescimento económico mundial de 3,9% em 2018 e 2019, mas avisaram que os riscos derivados das tensões no comércio internacional haviam aumentado. Face à escalada na guerra comercial, o segredo mais bem guardado por Christine Lagarde, a diretora-geral do FMI, prende-se com uma questão pertinente: irá o Fundo rever em baixa as previsões de crescimento para este ano e o próximo e acentuar ainda mais o abrandamento económico global até 2023?