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Talone diz que maior risco dos CMEC era a esquerda querer nacionalizar os ativos da EDP

MIGUEL A. LOPES/Getty

Ex-presidente da EDP admite que o antigo regime de contratos de longo prazo da EDP era menos arriscado que os CMEC, mas diz que estes "foram feitos à prova de bala"

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

João Talone, que presidiu a EDP entre 2003 e 2006, admite que o regime dos CMEC, de que a EDP viria a beneficiar a partir de 2007, era mais arriscado do que os contratos que lhe deram origem, mas diz que "o maior risco não era o mercado, era um risco político de que a esquerda viesse por aí a nacionalizar os ativos da EDP".

Questionado pelo deputado Jorge Costa, do Bloco de Esquerda, sobre o motivo pelo qual aceitou, como presidente da EDP, o fim dos CAE, quando vários especialistas consideram que os CAE eram mais vantajosos, Talone respondeu: "aceitámos porque achámos que ia ser possível criar um sistema alternativo que funcionasse".

"Aceitei os CMEC porque achei que os fizemos à prova de bala", acrescentou João Talone, que abandonou a EDP em 2006, ainda antes de ser fechado o desenho final dos CMEC, em 2007.

No âmbito da liberalização do mercado elétrico a EDP foi a única entidade em Portugal que aceitou a cessação antecipada dos contratos de longo prazo em vigor, tendo a Tejo Energia e a Turbogas recusado terminar os seus contratos, que permanecem ainda hoje em vigor.

João Talone é ouvido nesta terça-feira à tarde na comissão parlamentar de inquérito sobre as rendas excessivas dos produtores de eletricidade.