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João Talone. EDP tinha 12 ex-governantes do PS e PSD como consultores em 2003

MIGUEL A. LOPES/Getty

João Talone, antigo presidente da EDP, foi confrontado pelos deputados com o tema das portas giratórias. E respondeu com uma revelação

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

João Talone, antigo presidente da EDP, revelou esta terça feira no Parlamento que quando chegou à elétrica, em 2003, havia 12 consultores externos oriundos de governos do PS e PSD. "Quando cheguei à EDP a empresa tinha 12 consultores com motoristas que tinham sido ministros do PS e do PSD", contou Talone na comissão parlamentar de inquérito sobre as rendas da energia, quando questionado sobre o tema das portas giratórias.

"Portas giratórias? Não estamos no céu nem estamos no Inferno. E eu com o que acabei de dizer se calhar vou parar ao purgatório", disse Talone aos deputados. Talone disse discordar dessa presença de ex-governantes numa empresa que tinha mais de dois terços do seu capital nas mãos de privados. E previamente já tinha afirmado no Parlamento que quando chegou à EDP, em 2003, "o Ministério da Economia ainda achava que era o tutor da EDP".

Na sua audição, Talone disse várias vezes que "não é bom" haver as rotações que houve no passado de quadros de consultoras para o Estado e daí para empresas de sectores sobre os quais esses quadros trabalharam no Governo. João Talone disse ainda que uma das medidas que levou a cabo foi a rescisão dos contratos dos consultores, no âmbito de "um esforço brutal" de redução do quadro de pessoal da EDP que passava pelo término de 2 mil contratos.

A presença de antigos políticos na EDP é uma realidade que perdura até aos dias de hoje, tendo por lá passado ou mantendo-se no ativo figuras como Braga de Macedo, António Vitorino, Celeste Cardona, Luís Amado, Eduardo Catroga ou Augusto Mateus.